Santini e Rocha Arquitetos e CP Kukreja: Fábrica, Índia

Conexões arquitetônicas aproximam Índia e Brasil

Fica em Jaipur, na Índia, a fábrica da Perto inaugurada no segundo semestre de 2016. O projeto é dos escritórios Santini e Rocha Arquitetos, do Brasil, e C.P. Kukreja Architects, da Índia. Além do programa em si, uma situação específica para a qual o projeto teve que encontrar solução relacionada à temperatura que, naquela região, alcança 47 graus centígrados. Os conjuntos industriais do Brasil e Índia têm elementos comuns

Há três anos, a Perto - empresa que possui parque fabril em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre - ampliou sua unidade com a implantação de um novo edifício industrial projetado pelo escritório Santini e Rocha Arquitetos.

A empresa é um dos braços do grupo Digicon e atua no segmento de automação bancária. Produz, entre outros equipamentos, máquinas dispensadoras de cédulas - a Perto foi pioneira na produção desse equipamento no Brasil, na década de 1990. O complexo que a empresa possui no sul do país se aproxima de 50 mil metros quadrados de área construída.

Os equipamentos fabricados pela empresa são exportados para vários países. A construção da primeira fábrica no exterior, em Jaipur, na Índia, é, segundo seu presidente, Thomas Elbling, parte do processo de internacionalização da indústria. “Queremos colocar a Perto entre os principais players mundiais de automação naquela região”, explicou no ano passado, quando a unidade foi inaugurada.

O conjunto da Índia - que também foi projetado pelo Santini e Rocha Arquitetos, agora em parceria com o CP Kukreja, de Nova Delhi - possui 23 mil metros quadrados de área, com previsão de chegar a 45 mil – as fundações desses prédios já estão prontas. 

Em Gravataí, a parte fabril projetada por Santini e Rocha, caracteriza-se pelo fechamento em telhas metálicas, intercaladas por vidros e por vazios na extremidade. Já os prédios mais antigos têm como principal elemento de revestimento o tijolo aparente.

Ao decidir construir em Jaipur, a direção da Perto manifestou o desejo de que o conjunto apresentasse conexão arquitetônica com a arquitetura de suas instalações brasileiras, explica o arquiteto Lucas Rocha, do escritório brasileiro autor do projeto. Essa é a razão do tijolo à vista (no caso, plaquetas cerâmicas) ter sido adotado, ora como protagonista, ora como figurante no revestimento das edificações da Índia.

Jaipur fica no Rajastão, maior estado da Índia. O município é conhecido como cidade rosa – em 1876, por ocasião da visita de um príncipe britânico (na época, a Índia era colônia da Inglaterra), o marajá local ordenou que toda a cidade fosse pintada nesse tom e isso virou tradição. Outra curiosidade é que Jaipur foi a primeira cidade planejada da Índia.

A unidade da Perto fica em Mahindra World City, distrito industrial a cerca de 40 minutos da área urbana, e conta com escritórios, refeitório, vestiários, prédios de fabricação e montagem, engenharia, casa de geradores e tratamento de efluentes.

O programa está abrigado em edifícios na forma de pavilhões, com alturas diferentes e geometria predominantemente retangular. Assim como na unidade brasileira, o cliente determinou que o principal pavilhão fabril tivesse vão de 20 metros, dimensão que facilita o reposicionamento de máquinas e layout.

“Os prédios são pré-fabricados em estrutura metálica galvanizada, cobertos por telhas de aço trapezoidais. Em todos os prédios o tijolo à vista providencia uma unidade arquitetural seguindo o exemplo de uso deste revestimento em Gravataí”, detalha Rocha.

Um condicionante que o projeto teve que se preocupar em atenuar foi a amplitude térmica. Jaipur fica numa região de desertos, explica Rocha, onde a temperatura chega a 47 graus centígrados. Durante 2/3 do ano, não chove; nos outros quatro meses, as chuvas são intensas, fenômeno atmosférico conhecido como Monções, que caracteriza parte daquele país.

Por isso, o tratamento térmico e o ar-condicionado foram cuidadosamente estudados. “O projeto recorreu a equipamento de última tecnologia nessa área”, relata o arquiteto. Na área de escritórios, há condicionamento de ar; na parte de fabricação e montagem, foi adotado um sistema de umidificação que reduz em cerca de 5 graus a sensação térmica externa.

A imagem final do conjunto é a da arquitetura fabril internacional semelhante a de outras fábricas que estão se espalhando por Mahindra World City. Com relação às diferenças entre projetar para o Brasil e para a Índia, o arquiteto lembra a questão dos sanitários e vestiários. Na primeira situação, foi preciso prover os ambientes tanto de bacias convencionais como de turcas. Já nos vestiários femininos foi necessário proteções extras. Outra dado interessante de construir naquele país, informa Lucas, é que são as mulheres quem fazem os serviços de ajudantes. Na foto na galeria abaixo, elas plantam grama no terreno da fábrica.



Ficha Técnica

Fábrica Perto
Local Jaipur, Índia
Início do projeto 2013
Conclusão da obra 2016
Área do terreno 70.000,00 m²
Área construída 23.000,00 m²

Arquitetura Santini e Rocha Arquitetos e C.P. Kukreja Architects – Lucas Rocha (autor)
Estrutura e instalações CP Kukreja
Fiscalização de obra MSR Engenharia
Construção Larsen & Toubro
Fotos Lucas Rocha e J. Thomas Elbling

Fornecedores

Hunter Douglas (forro mineral); Interarch (estrutura de aço); Dorma (ferragens)

Publicada originalmente em ARCOweb em 14 de Novembro de 2017
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora