AMZ Arquitetos: Hotel, Manaus

Retrofit compõe oásis em meio à aridez urbana

Pertencente ao período áureo do ciclo da borracha no estado do Amazonas, o casarão foi usado como residência de luxo por muitos anos. Após enfrentar processo de abandono, a antiga construção foi transformada em um hotel de referência pelo atual proprietário, que resolveu aproveitar a infraestrutura do bairro central de Manaus. Para tanto, contratou o escritório paulistano AMZ Arquitetos, que viabilizou o retrofit e mesclou, com muita propriedade, o traço antigo e contemporâneo

A cidade de Manaus, capital do Amazonas, surgiu às margens do rio Negro na última década do século 18. Seu bairro central nasceu a partir da expansão das atividades comerciais que ali foram se desenvolvendo – o chamado período áureo do ciclo da borracha - e, nesse ínterim, a implantação de casas de comércio e residências passaram a compor a mancha urbana da cidade.

Foi nesse contexto que a avenida Eduardo Ribeiro surgiu e ganhou novas instalações, como o reconhecido Teatro Amazonas. Ao longo dos anos, o desenvolvimento da cidade proporcionou novas áreas de centralidade e, por causa desse processo, o cenário se transformou: construções que existiam nas vias adjacentes à famosa avenida perderam suas funções e algumas até hoje enfrentam situação de abandono.

Tendo em vista a potencialidade do bairro de uso misto e a infraestrutura da qual desfruta, o proprietário de um imóvel datado do referido período - localizado na rua 10 de Julho, que intercepta a Eduardo Ribeiro - contratou o escritório de arquitetura paulistano AMZ para transformar o antigo lote residencial de 2.100 metros quadrados em um hotel de padrão refinado.

Os arquitetos deveriam elaborar um projeto que oferecesse 30 apartamentos para hospedagem, amplo restaurante e área de lazer aconchegante. Para tanto, decidiram alocar o espaço de alimentação e recepção do hotel no imóvel preexistente e as acomodações, por sua vez, em uma nova construção mais ao centro do terreno. Dessa forma, o sobrado antigo permaneceria como a principal edificação do conjunto, já que o prédio de apartamentos teria apenas quatro andares e não seria visto a partir do nível da rua.

Para resolver a nova implantação, a equipe identificou, primeiramente, que seria necessário rebaixar a cota do antigo porão para abrigar a recepção do hotel. Com a intenção de não perder a identidade da casa, optou-se por transitar entre o passado e o contemporâneo. Seu restauro, portanto, incluiu deixar aparentes os arcos de pedra e os tijolos da fundação original que sustentavam o vigamento de madeira. Paredes foram descascadas e o restaurante passou a ocupar os cômodos do primeiro pavimento, mantendo originais as esquadrias e o piso de madeira.

Quanto à nova construção, o projeto posicionou sua lateral esquerda no limite do lote, deixando a área central do terreno livre para abrigar o espaço de lazer. Além disso, foi estipulado que o prédio funcionasse como um “bloco de serviços”, que abrigaria tanto os apartamentos quanto o bar, a cozinha e a lavanderia, a fim de preservar a estrutura do casarão, uma vez que as áreas molhadas não ocupariam suas dependências.

A planta da nova edificação definiu seis suítes para cada pavimento, sendo cada uma delas composta por uma pequena varanda voltada para o jardim interno e a piscina. Esse posicionamento estratégico permitiu que o ar, refrigerado pela vegetação e pela porção de água da piscina, fosse transferido aos apartamentos, oferecendo conforto térmico de forma natural aos hóspedes. Os beirais e o fechamento dessa lateral, feito com painéis móveis de madeira, protegem os espaços internos da insolação direta, e a proporção de suas aberturas seguiram o ritmo de "cheios e vazios" presente nas construções do entorno.

O projeto de interiores cuidou para não contrastar com a essência preliminar existente na antiga construção, sendo composto por objetos e móveis pertencentes à família dos proprietários e também achados em antiquários da região. Além disso, o mobiliário foi concebido em cores e materiais (ferro e madeira) que se adequam à construção original.



Ficha Técnica

Hotel em Manaus
Local Manaus, AM
Início da obra 2013
Ano de conclusão 2016
Área construída 2.100 m²

Arquitetura AMZ Arquitetos - Pablo Alvarenga, Manoel Maia, Adriana Zampieri (autores); Beatriz Souza, Melissa Kawahara, Paula Saito (equipe)
Paisagismo André Paoliello 
Iluminação LD Arti
Fotos Maíra Acayaba

Publicada originalmente em ARCOweb em 02 de Julho de 2018
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