Habitação social de bambu pode ser construída em uma semana

A ONG mexicana Comunal: Taller de Arquitectura criou um modelo com estrutura de bambu pré-fabricada, que pode ser replicado em apenas sete dias

A Comunal: Taller de Arquitectura, ONG na Cidade do México voltada à produção social de arquitetura, desenvolveu um modelo de residência com estrutura pré-fabricada de bambu que busca preservar o sistema de construção modular.

Com a ajuda dos moradores do município de Cuetzalan del Progresso, o que ajudou a reduzir os custos de obra, a estrutura que compõe a residência de 60 metros quadrados foi montada em menos de sete dias.

As paredes da casa compreendem painéis de bambu revestidos com um tecido local - o ixtle, que é muito usado para fazer sacos de café - e, por cima, argamassa. Mas há ainda alguns trechos de paredes feitos com tijolo vazado, o que ajudou na ventilação natural do ambiente e a permitir que a fumaça da cozinha flua facilmente para fora. 

Vigas e treliças de bambu se apoiam nas paredes e formam um telhado monoinclinado, que avança para cobrir duas varandas. Janelas e portas também são de bambu, enquanto o piso recebeu uma pavimentação acinzentada tanto nas áreas internas quanto externas.

Quanto ao layout da residência, a área frontal forma um espaço comum onde, tradicionalmente, os habitantes locais costumam secar as colheitas de milho e café, seguida por quartos duplos nos fundos.

Em 2013, os arquitetos da Comunal: Taller de Arquitectura trabalharam com os moradores da cidade de Tepetzintan para desenvolver um esquema semelhante de autoconstrução. Na ocasião, a ideia era utilizar o bambu da região na estrutura pré-fabricada, em conjunto com outras madeiras e pedras locais. Porém, o projeto não foi aprovado pela Comissão Nacional de Habitação do México, devido ao seus materiais e técnicas construtivas.

Neste segundo projeto, a ONG evitou usar espécies locais de bambu, importando a madeira dos Estados Unidos. Assim, a habitação rural em Cuetzalan del Progresso foi aprovada para receber subsídios federais, podendo ser implantada em outras áreas do estado. 

Os arquitetos, no entanto, querem que o modelo aprovado gere discussões sobre o uso de materiais e métodos locais em futuras habitações e que os próprios residentes possam aprender a construir as réplicas.

"Continuaremos buscando a viabilidade do primeiro exercício, pois acreditamos firmemente que os materiais de construção tradicionais e os sistemas construtivos devem ser endossados pelas políticas de habitação pública em nosso país e promover a autonomia dos povos indígenas, o valor da arquitetura vernacular e a conservação de conhecimento intangível", afirmou a ONG.



Publicada originalmente em ARCOweb em 19 de Janeiro de 2018
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