DMDV Arquitetos: Centro Cultural, São Paulo

Externa, circulação alternativa dinamiza volumetria da edificação

Espaço será edificado em São Paulo, mas ainda não tem terreno definido. Fechamentos alternam áreas opacas, paredes verdes e superfícies transparentes

Já há alguns anos, um cliente do escritório paulistano DMDV Arquitetos contou aos sócios do estúdio da sua intenção de construir um empreendimento cultural, ao qual passaria a dedicar parte de seu tempo, além das suas atividades profissionais cotidianas. Esse propósito se reforçou quando um amigo – colecionador de arte, cujo acervo reúne gravuras, pinturas, fotografias e esculturas – confidenciou-lhe que gostaria de expor publicamente sua coleção. O empresário encarregou então o DMDV de apresentar sugestão para o espaço, ainda que não tivesse um terreno definido para recebê-lo.

Quando um imóvel no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, apareceu como candidato a receber o conjunto (a negociação não se consolidou), André Dias Dantas, Bruno Bonesso Vitorino e Renato Dalla Marta, sócios do DMDV, aprofundaram os estudos configurando a proposta como está aqui publicada - dessa forma, imagens, plantas, cortes podem ser (e provavelmente serão) alterados em função das especificidades de conformação e topografia de outros terrenos. Em determinado momento, o cliente cogitou construir o espaço cultural no bairro do Bixiga, junto a uma edificação tombada.

Nesse caso, ponderaram Vitorino e Dalla Marta, o projeto teria de ser modificado. Algumas restrições com relação às possibilidades de construir no local fez o empresário retroceder. Até o início deste ano não fora definida uma área para a construção, mas estão consolidados alguns parâmetros de lotes com os quais os arquitetos trabalham, como, por exemplo, a localização. Para o tipo de programa que o espaço receberá, os arquitetos consideraram fundamental que o terreno esteja situado dentro dos limites do centro expandido e em região de fácil acesso por transporte público.

Por sua mais recente vocação de sediar espaços culturais/institucionais, a avenida Paulista e suas proximidades é a hipótese ideal, ainda que, na região, o metro quadrado dos terrenos custe mais alto. De qualquer forma, o que não deve passar por reformulações radicais é o programa de necessidades no qual está incluído um auditório para palestras com capacidade de receber cerca de cem pessoas; espaços para a realização de exposições (para acomodar tanto as obras do colecionador como mostras temporárias); áreas para a realização de oficinas; restaurante; biblioteca; e salas para a administração.

Considerando as características do terreno de Pinheiros - que fica em uma esquina -, o DMDV desenhou uma edificação verticalizada com oito pavimentos (dois deles são subsolos de estacionamento) de composição plástica impactante, onde alternam-se planos com vedações mais opacas (caso do auditório e do piso das exposições) com superfícies mais transparentes (pavimentos das oficinas culturais e do restaurante) e áreas de interação com o meio externo (jardim das esculturas). Visualmente, o conjunto é também caracterizado pela circulação externa alternativa que dinamiza sua volumetria.

“A ideia para o edifício era de que ele tivesse uma circulação interessante de modo que as pessoas pudessem percorrer toda a sua extensão sem depender exclusivamente do elevador”, detalha Vitorino. Como a circulação que o escritório previu possibilita uma permanente troca entre interior e exterior, o visitante não notará, por exemplo, o quanto verticalizada é a edificação. Posicionada em pontos diferentes das lajes, o desenho desse espaço de circulação qualifica o trajeto e estimulando o visitante a percorrê-lo.

Com relação aos materiais aplicados no centro cultural, nas áreas destinadas às exposições, os arquitetos recorreram a uma “caixa” de madeira que se complementa e interage com um espesso jardim vertical. Como a vegetação muda de aspecto dependendo da época do ano, criou-se um edifício com uma fachada mutante. Noutras partes da construção a madeira aparece nos brises.

Na distribuição dos pavimentos, o projeto trabalha alturas diferentes e espaços vazados de onde se consegue observar trechos dos andares inferiores, o que dinamiza as vistas internas e externas. As plantas das áreas de exposição e das oficinas são livres de modo que possam acomodar diferentes tipos de artes e atividades.



Ficha Técnica

Centro cultural
Local São Paulo, SP
Ano de início do projeto 2016
Área construída 3.500m²


Arquitetura DMDV Arquitetos - André Dias Dantas, Bruno Bonesso Vitorino, Renato Dalla Marta, Victor Vernaglia (autores); Aline Teixeira Pinheiro, Ana Claudia Schad, Dimitrius Megalomatidis (colaboradores)

Publicada originalmente em ARCOweb em 20 de Fevereiro de 2018
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