Casa em Destaque: Andrade Morettin e Estúdio Trópico, São Paulo

Acréscimos e subtrações em residência reformulada

No topo, o antigo sobrado ganhou novo pavimento. No térreo, paredes foram removidas e o vidro tornou franca a relação com o jardim

Ainda que não possam mais ser considerados jovens arquitetos - o escritório que eles constituíram completou 20 anos de trajetória em 2017 e os sócios-fundadores, Vinicius Andrade e Marcelo Morettin, formaram-se no início da década de 1990 – é incorreto afirmar que a produção do Andrade Morettin Arquitetos tenha envelhecido; ao contrário, continua exalando frescor e jovialidade. No entanto, a preocupação em arejar o repertório está presente e, de acordo com Morettin, foi uma das razões que o levou a convidar o Estúdio Trópico para compartilhar a autoria do projeto dessa residência paulistana.

A proposta inicial era mais radical, reconhece Morettin para, em seguida, avaliar que a solução que terminou por se efetivar, mostrou-se, afinal, a mais adequada – a moradia fica no Jardim Paulistano, região oeste de São Paulo, num terreno de conformação irregular semelhante à de um triângulo. Embora não se tratasse de uma arquitetura relevante, os autores avaliaram que a solução apresentava uma implantação correta e a volumetria tinha certo interesse e, também em função do programa, consideraram apropriado manter parte da concepção original da década de 1960.

Não se trata, portanto, de um novo projeto, mas da reconfiguração de um imóvel existente: um sobrado, ao qual o projeto acrescentou um terceiro nível. A ideia dos clientes, recorda o arquiteto, era mesmo a de manter a construção existente, ajustando-a as suas necessidades. A arquiteta Maria Cristina Savaia Martini, que é sócia de Carolina Bueno e Suzana Barboza no Estúdio Trópico, lembra que a solução inicial apresentada ao cliente intervia de forma mais profunda na moradia, praticamente demolindo seu térreo e recorrendo a uma ousada estrutura metálica para sustentar a solução.

Diante da ponderação do cliente (e dos custos mais altos), os escritórios a reviram. E, ainda que o projeto concretizado seja mais contido, tanto Morettin como Cristina consideram ambas as soluções conceitualmente parecidas. No que se refere ao segundo pavimento (existente), por exemplo, o volume branco ao qual foram agregados alguns elementos externos é praticamente o mesmo. Nesse piso, a reformulação consistiu basicamente em prover os quatro dormitórios de banheiros, tornando-os suítes – antes havia apenas uma.

No térreo, o projeto subtraiu os elementos mais densos, trocando as paredes por amplos painéis envidraçados que podem ser recolhidos (em 90 graus), possibilitando uma relação franca (visual e tátil) com o jardim externo. Assim, embora a casa ocupe a maior parte do lote, os moradores podem melhor usufruir das áreas verdes circundantes. O móvel desenhado pelos autores delimita os ambientes – com ele, cozinha e ambiente sociais podem ser integrados ou segregados. A sala de TV é mais isolada.

Já o terceiro pavimento é um elemento que se acoplou ao existente – a circulação que a ele conduz mantém a mesma prumada da escada entre o térreo e segundo piso – e funciona como um espaço de estar/escritório e biblioteca dos proprietários. A área coberta desse nível é menor que a do segundo e possui aberturas para os terraços com pisos de madeira. O frontal fica à altura da copa da árvore da pequena praça localizada em frente ao lote e dos fundos apresenta privilegiada vista dos arredores, uma vez que está ligeiramente acima das cotas das edificações vizinhas.



Ficha Técnica

Residência Jardim Paulistano

Local São Paulo, SP

Início do projeto 2013
Conclusão da obra 2015

Área do terreno 407 m²

Área construída 400 m²

Arquitetura Andrade Morettin Arquitetos e Estúdio Trópico

Paisagismo Ricardo Viana

Estrutura e fundações Stec do Brasil

Elétrica PKM

Hidráulica Usina Consultoria e Projetos
Ar condicionado
KSG

Gerenciamento da obra Marcelo Machado

Fotos Pregnolato & Kusuki

Fornecedores

Hunter Douglas (brises)
Alwitra (manta de cobertura)
Kitchens (cozinha)
Unibox (esquadrias)
Eleve (estrutura)
Neolith (placa cerâmica)
Alicante (pedras)
Concresteel (piso)
Aerne (marcenaria)
Joshua (adega)
Tuboar (exaustão e coifa)
Construflama (lareiras)
Reka (luminárias)

Publicada originalmente em ARCOweb em 29 de Setembro de 2017
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