Casa em Destaque: Sandra Moura, João Pessoa, PB

Composição em concreto, metal, madeira e vidro valoriza a natureza

“A residência nasceu predestinada a ser chamada Casa da Mata”. A afirmação é de Sandra Moura, arquiteta responsável pelo projeto dessa moradia na capital da Paraíba. As linhas retas predominam no desenho, com o concreto aparente, madeira, metal e vidro alternando-se na composição

Como dezenas de outras cidades brasileiras, a capital da Paraíba também conta com um condomínio da grife Alphaville. Chamado Alphaville João Pessoa, o empreendimento fica no Estados, bairro da região norte do município, onde antes era a Fazenda Boi Só, em área próxima da divisa com a cidade de Cabedelo.

A propriedade se tornou conhecida como Boi Só em razão de a população não conseguir pronunciar Boisson, nome da família de origem francesa dona da fazenda - a sede e a capela da propriedade foram recuperadas (projeto de Cyro Corrêa Lyra) quando da construção do condomínio e, mediante autorização, podem ser visitadas.

A Casa da Mata, como a arquiteta Sandra Moura a denomina – título que ela justifica pelo fato de o partido adotado potencializar a conexão entre a arquitetura e a natureza -, ocupa um terreno de pouco mais de 1.400 metros quadrados nesse condomínio, com ligeiro declive. Sua implantação, conforme reitera a autora, se deu de maneira que a vista da natureza fosse valorizada - exemplo dessa orientação está no terraço que ocupa praticamente a metade do pavimento térreo e se integra com a sala. “O terraço se lança para o exterior constituindo um espaço generoso. Um abrigo para a família, que tem uma visão privilegiada da natureza”, pondera Sandra.

A morada é constituída por dois pavimentos e mais subsolo com planta no formato de "U". Sua estrutura (e, em parte, sua própria volumetria) faz uso de concreto e aço, materiais com os quais a arquiteta está habituada a trabalhar, como pode ser observado no seu projeto para o restaurante Nau, em Brasília (PROJETO 416, de novembro de 2014). Não são, no entanto, apenas os materiais que aproximam os trabalhos de João Pessoa e da capital federal: em ambos, Sandra trabalha com um desenho que privilegia as linhas retas para configurar a arquitetura, além de procurar aproximar os ambientes internos do exterior.

No caso da residência, as vigas em aço galvanizado que suportam o piso/teto (em concreto aparente) permitem o balanço nas laterais menores – as peças receberam pintura eletrostática aparente, detalha Sandra. Para compor a fachada e destacar pontualmente a volumetria, o projeto fez uso do aço corten (elemento também presente no Nau) no revestimento de parte do piso superior, vidros e ripado de ipê (este no térreo), que sutilmente protege do olhar externo a cozinha e a garagem. Antecedendo ao acesso social, Sandra desenhou um lago/ilha e, com uma moldura revestida em cerâmica vulcânica, destacou a entrada principal.

Na disposição interna, os ambientes de estar/convívio ficam no térreo e os espaços íntimos no superior – nestes, as aberturas voltadas para o fundo também ampliam a vista da paisagem próxima e do horizonte. Inserida numa cota inferior do terreno, a piscina (também revestida com cerâmica vulcânica) tem forma retangular - o acesso a ela se dá por pequenas escadas em ipê, mesma madeira com o qual foi construído o deque. De acordo com a arquiteta, trata-se de madeira certificada de reflorestamento. Complementam o ambiente de lazer a sauna e o espaço gourmet, onde ficam churrasqueira, adega, cervejeiras e bancada.

O projeto luminotécnico é todo realizado com luzes do tipo led. “Na parte que ficou na laje, realizamos a pintura eletrostática nas caixas de iluminação na cor do concreto. O led foi escolhido para reduzir o consumo de energia e pelo fato de as lâmpadas serem encontradas em tamanhos bem reduzidos, além do seu tempo de vida útil chegar perto de dez anos”, explica a autora. Lâmpadas amarelas foram usadas nas áreas sociais e íntimas. Cozinha, serviço, depósito, despensa e escada de serviço foram iluminadas com lâmpadas de cor fria, que não propagam calor e nem criam sombras.



Ficha Técnica

Residência unifamiliar

Local João Pessoa, PB

Início do projeto 2015

Conclusão da obra 2017

Área do terreno 1.405 m²
Área construída 1.205,83 m²


Arquitetura e interiores Sandra Moura Arquitetura
Paisagismo Julio Anjos Jardinista

Luminotécnica Stiluz

Estrutura e fundações Projetaço

Elétrica e hidráulica Engpred

Ar condicionado DPI

Construção Cosseno

Fotos Vilmar Costa

 

Fornecedores

Persiart (cortinas e persianas)
Florense (cozinhas)
Otis (elevadores)
Inorpel (equipamentos de segurança)
Fecimal, JR Esquadrias de alumínio (esquadrias e portas)
Stilluz (lâmpadas e luminárias)
Artefacto, Formato, Florense (mobiliário)
Crystal (mármores, granitos e pisos)
DPI (ventilação e ar condicionado)

Publicada originalmente em ARCOweb em 29 de Novembro de 2017
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