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Essas superfícies receberam iluminação indireta e linear, criada pela lighting designer Mônica Lobo. Ela forma quadrados e retângulos inspirados no desenho do grande espelho do bar junto à entrada - uma referência a Mondrian, explica o arquiteto - e funciona como contraponto à textura e à irregularidade do revestimento de pedras.
Na parte posterior do lote, em que o restaurante tem a largura duplicada, entram em cena as grandes vitrines criadas por Tortil. Seu desenho teve origem no enfrentamento de um ponto negativo dos interiores, ou seja, no embate sobre o que fazer com o grande pilar central de sustentação do mezanino. Chegou-se a pensar na eliminação do jirau e de seu pilar, mas, em vista da perda de lotação dela resultante, a opção adotada foi oposta: utilizá-lo como elemento cênico, uma ampla vitrine vertical e oblonga que guarda as taças usadas no restaurante. Iluminada e revestida internamente com espelho, ela funciona também como grande luminária, que tem como referência a arquitetura da tradicional confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. “Essas histórias e evocações criam referências coletivas, as pessoas se sentem em casa no restaurante”, explica Tortil.
Também o mezanino se apresentava como desafio, em virtude do pé-direito reduzido. O arquiteto, então, revestiu-o externamente com gradil feito de tela metálica, na cor grafite, de modo que a expectativa de se entrar em local menor do que ele efetivamente é criasse efeito contrário. Nesse sentido, vale destacar a cobertura envidraçada do terraço nos fundos, perceptível desde o mezanino.
Em todo o restaurante, as telas metálicas e o tratamento aparente da tubulação de ar-condicionado contrabalançam, com sua imagem industrial, os detalhes sofisticados dos interiores.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 342 Agosto de 2008 |