Casas sustentáveis

Os projetos do Referencial GBC Casa

Lançado há cerca de um ano, com planos de criar indicadores de boas práticas ambientais para a construção de casas, o Referencial GBC Brasil Casa já mostra resultados. Diferentes tipos de obras estão em execução em cidades brasileiras, contendo soluções de eficiência energética e conforto ambiental.

Durante o ciclo de palestras da conferência do Green Building Council Brasil deste ano, arquitetos que participam do programa Referencial GBC Brasil Casa (leia FINESTRA 82) foram convidados para falar de suas experiências em construir residências com requisitos sustentáveis. São nove casas, escolhidas entre mais de 20 projetos inscritos, a partir de parâmetros que consideraram localidade, tamanho, sistema construtivo, aprovação de órgãos legais competentes e o envolvimento do proprietário ou arquiteto.

As propostas selecionadas são provenientes de três regiões brasileiras, com características climáticas e situações socioeconômicas distintas, para que a comprovação da aplicação do referencial seja mais abrangente. Algumas das obras apresentadas durante o encontro podem ser conhecidas nas páginas a seguir: a casa Madagascar, em Brasília; a casa da Chapada, em Mato Grosso; Catuçaba Ecovila, na cidade paulista de São Luiz do Paraitinga; a casa Hilgert Silveira, na cidade gaúcha de Viamão; e a residência Lamberto Ricarte, também em Brasília (nesta, o proprietário se envolveu de tal maneira na obra que ele mesmo foi à conferência contar sua história).

SUPERBRISE
A casa Madagascar, projetada pelo arquiteto Henrique Bezerra, da Bauau Arquitetura, está localizada em um lote com vegetação do cerrado preservada (terreno de 800 metros quadrados mais 400 metros quadrados de área verde) e vista privilegiada, na QI 28 do Lago Sul, em Brasília. O projeto concebeu generosas aberturas protegidas por um grande brise, aliando a estética ao conforto térmico e à eficiência energética. São dois pavimentos, no total de 360 metros quadrados, tendo como característica marcante o balanço de 7,5 metros no bloco do segundo piso, que se projeta sobre a área verde na fachada frontal.

A estrutura da casa é metálica com lajes em steel deck, proporcionando menor uso de matérias-primas, reduzindo o desperdício de materiais e possibilitando o futuro desmonte e reaproveitamento. O projeto incorpora também o aproveitamento de águas pluviais e reúso de águas cinza, geração de energia fotovoltaica, cobertura verde, materiais de baixo impacto ambiental e sistemas e equipamentos com baixo consumo energético.

Segundo o arquiteto, trata-se de um projeto integrado, no qual a equipe envolvida interage desde a fase de concepção até a conclusão da obra, prevista para dezembro de 2013. A coordenação do grupo é da arquiteta Darja Kos Braga (Ambiente Eficiente Consultoria).

CASA NA CHAPADA
Na chapada dos Guimarães, Mato Grosso, está em construção a casa de 160 metros quadrados projetada por Raquel Moussalem Apolônio, com arquitetura orientada em função das características climáticas. Segundo a arquiteta, de acordo com a NBR 15.220, o município de Chapada dos Guimarães está localizado na zona bioclimática 7, a mesma da capital Cuiabá. No início da primavera começa a fase de chuvas, a qual se estende até o começo de abril, que é o período de calor. A partir daí, no outono, inicia-se gradativamente a estiagem, que se fortifica no inverno. O clima passa a ser ameno à noite e quente durante o dia. O conforto térmico no interior da casa foi resolvido com a adoção de soluções passivas e de baixa complexidade.

Assim, o dimensionamento de janelas e portas aproveita os recursos de iluminação e ventilação naturais. O sombreamento de todas as aberturas com pergolado, beirais, brises ou varandas foi estudado e dimensionado para evitar a incidência da radiação solar direta. Especificação de materiais de baixa transmitância térmica para as paredes externas e coberturas deverão reduzir a carga térmica. Pisos drenantes nos ambientes externos aumentarão a permeabilidade do solo. Serão instalados painéis solares para aquecimento de água e painéis fotovoltaicos conectados à rede para geração de energia. O projeto, segundo Raquel, atende às exigências do RTQ-R do Procel Edifica, obtendo nível de eficiência A.

Para a área reservada ao paisagismo, no lote de 980 metros quadrados, optou-se por espécies vegetais pertencentes ao ecossistema local, pois plantas nativas são mais adaptadas às condições pluviais, exigem menor manutenção e promovem a biodiversidade, comenta a arquiteta. Essa estratégia reduz a demanda de água e de energia.

Texto de Cida Paiva| Publicada originalmente em Finestra na Edição 83
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