Tetra Projetos e Schulitz: Itaipava Arena Fonte Nova, Salvador

Brises de alumínio envolvem a nova arena

O formato de ferradura e a abertura para o dique de Tororó, no lado sul da Itaipava Arena Fonte Nova, em Salvador, são elementos arquitetônicos preservados do antigo Estádio Octávio Mangabeira - inaugurado em 1951 -, como uma reverência ao projeto do arquiteto Diógenes Rebouças.

Junto com a nova cobertura e os brises metálicos da fachada, eles criam a identidade visual da arena multiúso, cuja arquitetura foi desenvolvida por Tetra Projetos em parceria com o escritório alemão Schulitz Architektur + Technologie, com projeto estrutural da empresa paulista Setepla Tecnometal.

Com a obra concluída no primeiro semestre de 2013, a construção está pronta para abrigar jogos da Copa de 2014 e ser também um novo destino turístico na Bahia, para atividades artísticas, culturais e de lazer durante todo o ano.

Para a escolha dos brises mais adequados ao orçamento da obra e às condições climáticas de Salvador, foram feitos vários estudos até se chegar aos de alumínio, considerados a melhor opção. As análises iniciais previam tubos de acrílico, descartados por dois motivos: não teriam proteção eficiente contra o sol, por se tratar de material transparente, e o custo é mais elevado. O projeto executivo dos brises foi desenvolvido pelo Tetra em conjunto com o fabricante, a empresa espanhola Inbobe, também responsável pela instalação.

Os brises revestem 9.740 metros quadrados da fachada. São compostos por lâminas que têm comprimento variável (cerca de dez metros), devido à inclinação » dos pilares da fachada, largura de 80 centímetros e espessura entre sete e dez centímetros. Elas são formadas por três peças encaixadas uma na outra. Estas são extrudadas com o formato final e têm enrijecimento interno também em alumínio.

Segundo o arquiteto Marc Duwe, do escritório Tetra, os brises têm cinco ângulos de fixação diferentes (88, 79, 70, 61 e 52 com a vertical), de acordo com sua posição na fachada. Nas faces leste e oeste são instalados com os ângulos menores, para proteger melhor da incidência dos raios solares mais inclinados. Nos lados norte e sul, os ângulos são maiores, pois a incidência da luz do Sol é mais vertical e a lâmina mais horizontal favorece visão do interior do restaurante (sul) e do centro cultural (norte) para o exterior.

Para a fixação dos brises foi criada uma estrutura de apoio fabricada com perfis de aço. Ela consiste em três linhas de suporte, um em cada lateral, fixados nos pilares, e um central, que divide o vão entre pilares em dois. Esse suporte central é preso nas vigas de concreto, criando um apoio intermediário para as lâminas. As lâminas foram fechadas nas extremidades por uma peça com uma aba que, por sua vez, é fixada por parafusos nos perfis metálicos da estrutura de apoio.

Em concreto aparente, os pilares ancoram os brises e também a estrutura tensionada da cobertura, que protege toda a arquibancada. A estrutura metálica leve da cobertura, baseada no sistema de raios e anéis de tração e compressão (semelhante a uma roda de bicicleta), está apoiada nos pilares externos e sobre ela foi colocada a membrana tensionada.

A Itaipava Arena Fonte Nova tem capacidade para 50 mil espectadores em três níveis de assentos 100% cobertos, 70 camarotes e cerca de 2,5 mil vagas de estacionamento. O terreno de cerca de 116 mil metros quadrados abriga 90 mil metros quadrados destinados à arena multiúso e ao edifício-garagem.

O empreendimento é uma parceria público-privada entre o governo da Bahia e a Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), concessionária formada pelas empresas OAS e Odebrecht Participações e Investimentos. Para a construção, a FNP contratou o Consórcio Arena Salvador, constituído por OAS e Odebrecht Infraestrutura.



Ficha Técnica

Obra: Itaipava Arena Fonte Nova
Local: Salvador, BA
Cliente: Governo do estado da Bahia
Administrador: Fonte Nova Negócios e Participações
Projeto: maio de 2008 
Conclusão da obra: agosto de 2010 a 2013 (primeiro semestre)
Área do terreno: 116.000 m2
Área construída: 90.000 m2
Arquitetura: Tetra Projetos (São Paulo) e Schulitz Architektur + Technologie (Alemanha) - Marc Duwe e Claas Schulitz (autores e arquitetos responsáveis)
Construção: Consórcio Arena Salvador (OAS e Odebrecht Infraestrutura)
Projeto estrutural e complementares: Setepla Tecnometal (São Paulo)
Projeto da cobertura: RFR (Alemanha)
Brises: Tetra Projetos e Schulitz Architektur + Technologie (estudos e projeto executivo); Inbobe (fabricação e instalação)
Demolição e implosão: Arcoenge
Controle de qualidade do projeto de demolição: Controlled Demolition (EUA)

Texto de Cida Paiva| Publicada originalmente em Finestra na Edição 82
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