GCP Arquitetos: Fábrica John Deere

Fábrica John Deere, Montenegro, RS

Brises, beirais e empenas de concreto reduzem a incidência da luz solar no edifício administrativo, enquanto no prédio industrial sistemas de iluminação zenital e ventilação mecânica garantem luz natural e temperaturas amenas, sem condicionamento de ar. Esses recursos refletem a preocupação com o conforto ambiental.

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
A empena de concreto produz sombreamento na área do refeitório
Fachadas e coberturas com
proteção solar
Brises, beirais e empenas de concreto reduzem a incidência da luz solar no edifício administrativo, enquanto no prédio industrial sistemas de iluminação zenital e ventilação mecânica garantem luz natural e temperaturas amenas, sem condicionamento de ar. Esses recursos refletem a preocupação com o conforto ambiental.

A nova unidade de produção de tratores da norte-americana John Deere, fabricante de implementos agrícolas, foi implantada na cidade de Montenegro, a cerca de 40 quilômetros de Porto Alegre, seguindo os conceitos corporativos de qualidade de design e durabilidade aplicados aos seus equipamentos. São três edifícios - administrativo, fabril e de tratamento de resíduos - distribuídos sobre um platô de cerca de 450 metros quadrados, que faz parte de um terreno com 995 mil metros quadrados. O prédio da administração expressa simbolicamente a relação da empresa com a natureza, através do uso de cantaria de pedra, aço patinado e madeira. O acesso dos funcionários se dá por uma ponte, sobre o espelho d’água, que se comunica com o hall central, de pé-direito duplo. No fundo desse lobby, uma grande parede de vidro mostra a área industrial, como uma espécie de vitrine para os produtos. O bloco fabril possui recursos modernos, com linha de montagem flexível, que permite alterações para atender com maior rapidez aos pedidos dos clientes e à redução dos estoques de matéria-prima e de produtos prontos. O desenvolvimento do projeto considerou a implantação predefinida pela John Deere - uma planta básica para responder à logística e ao fluxograma de trabalho.

Inicialmente, a empresa planejava construir essa unidade em Limeira, interior de São Paulo. Quando o plano diretor já ganhava contornos, surgiu a ideia de mudança para o terreno adquirido na cidade gaúcha, polo industrial em crescimento acelerado. Com a alteração vieram os desafios, uma vez que a orientação solar dos dois terrenos era diferente, mas o cliente queria manter a implantação original, com o edifício de escritórios voltado para a frente do lote. A fachada frontal, antes orientada para o sul, voltou-se para o oeste - uma das mais problemáticas orientações para panos de vidro. Estudos e gráficos de incidência solar, feitos pela arquiteta Anésia Frota, identificaram as áreas mais críticas e, a partir daí, foram propostos brises, empenas de concreto e beirais de 1,5 metro, para garantir o sombreamento.

“Como não foi possível alterar a implantação, tivemos que tratar o edifício para melhorar as condições de conforto”, explica Adriana Oliveira, arquiteta do escritório GCP, que participou da coordenação da obra. No refeitório e na sala da diretoria, a fachada de vidro foi protegida por empenas de concreto de cinco metros, que ultrapassam a altura do prédio. O acesso principal, que leva à recepção da administração, ganhou uma marquise com forro de chapas de aço corten, apoiada em pilar metálico. Ela se estende para a área interna, avançando através da cortina de vidro até o primeiro nível de segurança patrimonial. As soluções de sombreamento permitiram que o bloco de escritórios tivesse vista para o jardim e para a mata nativa, que faz parte do terreno preservado pela empresa. Vedado na face oeste pela empena de concreto, o refeitório possui um terraço localizado junto ao espelho d’água, funcionando como ponto de encontro.

Maquete eletrônica do complexo industrial
Área dos escritórios ganhou a proteção de brises
Luz natural colabora com a redução do uso de energia elétrica
O edificio da fábrica tem alvenaria até três metros de altura e fechamento com telha metálica até a cobertura

VENTILAÇÃO MECÂNICA

No edifício da fábrica aplicou-se o padrão industrial tradicional: alvenaria até três metros de altura, criando zona de conforto para as pessoas que trabalham no local, e fechamento com telha metálica simples até a cobertura, que recebeu telhas termoacústicas. Uma grande marquise metálica circunda a fachada, proporcionando sombreamento na área em que os caminhões param. Para garantir o conforto ambiental e assegurar a eficiência energética da edificação, foram criados sistemas de ventilação mecânica e iluminação natural. Segundo Alessandra Araújo, coordenadora geral da obra, o sistema de ventilação mecânica foi projetado de forma a permitir a renovação de ar com pressão positiva. Devido ao processo industrial ali instalado, não poderia ocorrer a entrada direta de ar, que traria o risco de carregar poeira. Assim, houve uma blindagem: o equipamento suga o ar, por um dos lados, insufla-o através de dutos e o distribui ao longo de todo o prédio, pelas colunas; o ar quente ascende por convecção, saindo pelo lado oposto, onde há controle de pressão. Esta sobe e quando chega a determinado nível os dispositivos abrem e o ar quente sai. São, no mínimo, seis trocas de ar por hora, resultando em bons níveis de ventilação.

Para a troca de ar foram criados sheds com venezianas. O principal deles corta o edifício longitudinalmente, tendo a função de iluminar, ventilar e abrigar os equipamentos do sistema de ventilação mecânica. Colabora com a manutenção do conforto térmico a cobertura composta por telhas trapezoidais termoacústicas, que receberam sistema adicional de isolamento térmico e manta (TPO), da Firestone, na cor branca, para refletir o calor. Segundo Alessandra, a escolha do TPO onerou um pouco a obra, mas foi aceita porque entrou no cálculo de ganho de calor. O sistema foi aplicado em todas as edificações.

EDIFÍCIO DE RESÍDUOS

Todos os resíduos provenientes da indústria e dos escritórios ganham destinação mais útil após passarem pelo centro de triagem e armazenamento, um edifício de configuração especial projetado para abrigar equipamentos também especiais. Trata-se de uma criação da equipe do escritório GCP em parceria com os engenheiros que atuam no processo industrial. Apesar do programa diferenciado, o prédio ganhou o mesmo padrão arquitetônico e de construção das outras instalações. Depois da triagem, os resíduos são acondicionados de acordo com as normas ABNT, em fôrmas compactas que facilitam sua retirada do local. A unidade industrial de Montenegro tem capacidade de produção de 15 mil tratores por ano.


Texto de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 56 Março de 2009
Sistema de ventilação e iluminação do edifício industrial

Texto de | Publicada originalmente em Finestra na Edição 56

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