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Formado na década
de 1960 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade
Mackenzie, o arquiteto Nadir Curi Mezerani construiu, na mesma
instituição, uma sólida carreira acadêmica.
Ao mesmo tempo, conduziu seu escritório de projetos
e ocupou cargos em entidades profissionais, como o Crea/SP
e o Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo.
Esse período de grande efervescência estimulou
o espírito crítico de Mezerani, aposentado pelo
Mackenzie em 1995, e que hoje mantém seu escritório
em intensa atividade, no desenvolvimento de propostas para
obras residenciais, comerciais, industriais e para o setor
público. Em sua opinião, o papel do arquiteto
que deseja conceber um bom projeto e, conseqüentemente,
boa arquitetura é o de orientar a sociedade para a
conscientização de seus benefícios.
Nesta entrevista, ele fala dos elementos que identificam conceitualmente
um bom projeto, da implantação arquitetônica
no contexto urbanístico e da conciliação
entre arquitetura e meio ambiente. “O século 20 verticalizou
a arquitetura, industrializou sua construção,
criou as megacidades, uniu os países, mas não
promoveu o equilíbrio com o meio ambiente nem conseguiu
abrigar o contingente crescente da população
nas nações subdesenvolvidas”, afirma Mezerani. |
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| Com o crescimento das cidades e o surgimento de novas solicita- ções ambientais, mudaram os conceitos de organização dos espaços e de criação de edificações para abrigar as atividades humanas. Diante desse quadro, qual é o papel do arquiteto? |
A função do arquiteto é
criar espaços para a sociedade, do edifício
ao desenho das cidades. A criação requer
domínio do processo de produção em
seus meios e fins. Requer repertório cultural abrangente,
por lidar com anseios da sociedade, e cultura específica,
por necessidade de materialização dos seus
objetivos. O espaço físico é material,
há que ter estabilidade, funções
determinadas e conforto ambiental. Mas também deve
propiciar bem-estar ao homem na sua privacidade ou em
sociedade. A concepção desses espaços
nasce da interpretação cultural, em processo
dialético que o arquiteto deve dominar.
Arquitetura é arte e ciência,
portanto, em constante contemporaneidade. Há
resoluções de congressos e encontros mundiais
do início do século passado que, diante
da eminente eclosão demográfica, já
previam e recomendavam soluções para os
problemas que hoje enfrentamos. Mas é difícil
a assimilação cultural pela sociedade dos
reais valores do espaço, urbano ou livre, ecologicamente
sustentável. Essa dificuldade se agrava com as
diferenças econômicas das classes sociais
que usufruem incorretamente o poder sobre os bens comuns,
subestimando o futuro.
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| O que é uma boa arquitetura? |
É a que incorpora em seus espaços
os anseios da sociedade no tempo. Deduzir o que é
boa arquitetura a partir de suas características
técnicas mensuráveis é mais fácil.
É quando a obra atende ao programa solicitado;
cumpre o custo programado; resulta em edificação
estável sem rachaduras ou trincas; tem conforto
ambiental. As técnicas construtivas foram previstas
corretamente, funciona como o usuário pretendia,
como o arquiteto concebeu e como a construtora foi orientada
a executá-la.
Entretanto, definir valores sociais, estéticos,
históricos, culturais, de usos e costumes e prever
valores prospectivos, que um projeto deve conter, já
é tarefa mais complexa. Esses componentes são
imponderáveis e devem ser elaborados por analogia,
em um processo dialético de interpretação
cultural. Por vezes, arquitetos precursores formulam nova
filosofia de arquitetura, entendendo-a como um processo
de criação e não como uma “invenção
isolada”. Novos valores ou paradigmas de arquitetura não
podem ficar restritos a subjetividades sem comprovações
fundamentadas de retornos sociais elevados.
O papel do arquiteto que deseja
conceber um bom projeto, e, conseqüentemente, boa
arquitetura, é o de orientar a sociedade para a
conscientização de seus benefícios.
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| O que identifica conceitualmente um bom projeto? |
Atendidas todas as expectativas e anseios
do cliente, interpretados pelo arquiteto, para ser considerado
de boa qualidade um projeto arquitetônico deve,
obrigatoriamente, incorporar todas as áreas técnicas
consideradas afins: cálculo estrutural, instalações
hidrossanitárias, elétricas, eletrônicas,
telefonia etc.
Deve também conter implicitamente, em seu processo
construtivo, coerência com a mão-de-obra
local, estudo de custo fundamentado, relações
e listagens de todos os materiais a serem empregados,
custos e prazos previstos, organização administrativa
de compras, entregas, pagamentos, e certamente incorporar
no desenho conceitos culturais de cada sociedade. Este
bom projeto não necessita, ser diferenciado ou
inovador.
Os antigos grupos escolares e as escolas normais, por
exemplo, eram padronizados em seus projetos e obras, com
conseqüente racionalização de tempo
e economia de materiais, controle político de gestão,
conservação e funcionalidade didático-pedagógica.
Posteriormente, tenta-se reproduzir em escala obras escolares
e habitações, mas raramente são obras
multiplicáveis, por exemplo, em pré-moldados
rápidos e de gestões contínuas por
diferentes políticos.
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| O que identifica tecnicamente uma boa obra? |
O cumprimento de todas as metas programadas em um bom projeto. Isto é, seguir rigorosamente detalhes, memoriais, planilhas, prazos, custos e recomendações complementares eventualmente concebidas e/ou ajustadas durante o processo de construção. Certamente a obra será bela, durável, funcional, salubre, confortável, aconchegante, em si e urbanisticamente.
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| Até que ponto a funcionalidade pode ser sacrificada em favor da estética? |
Nunca. Algumas propostas recorrem à
plástica como se fosse estética, procura-se
justificativa de mercadologia, ou atrair a atenção
a partir dessa propriedade da arquitetura. Nesse caso,
o grande valor de um bom profissional é conceber
a beleza não como um recurso, mas como solução
estética funcional.
É necessário distinguir
a ética estética da plástica.
Essa qualificação, por vezes difícil
para o leigo compreender, é o que destaca a boa
arquitetura do formalismo. Parodiando sua pergunta, prefiro
sacrificar a plástica em benefício da funcionalidade.
Já imaginou como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro,
seria maravilhoso se fosse concebido por Victor Brecheret?
Seria arte, além de ponto turístico.
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| Esse pensamento se aplica à arquitetura contemporânea? |
A arquitetura contemporânea é
aquela presente em seu tempo. A arquitetura clássica,
em sua época, era contemporânea. E o homem
sempre produziu a arquitetura como um reflexo de sua cultura,
de seus valores, de seus símbolos, de sua história.
É importante distinguir a análise em questão
em seu próprio tempo. Ela nos torna senhores dos
conhecimentos que identificam valores éticos reais
e aqueles por vezes impostos por modismo.
Há algumas obras conhecidas e de destaque visual
executadas em busca, ou em prejuízo, da função
como uma prospecção dialético-cultural.
No Centro Cultural Georges Pompidou [o Beaubourg, projeto
de Renzo Piano e Richard Rogers], em Paris, e no Experience
Music Project, do arquiteto Frank Gehry, em Seattle, as
arquiteturas são diferenciadas e atraentes, tanto
quanto ou até mais do que algumas obras de arte
internamente expostas. O primeiro certamente se impôs
no tempo como estética, mas o segundo exemplo para
mim é plástica efêmera.
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| O que é uma boa implantação ar- quitetônica no contexto urbanístico? |
Há uma relação estreita
entre o objeto arquitetônico e seu observador no
espaço urbano. Preocupa-me
a falta de parâmetros críticos na implantação
de obras novas em ambientes urbanos já consolidados,
até mesmo desenvolvidas pelo próprio poder
público.
Em São Paulo, o Memorial da América Latina
está descontextualizado em seu meio ambiente urbano,
as obras e seu entorno não estão em harmonia,
quer em sua integração de funções
ou volumetria. Cumpre à prefeitura de São
Paulo estabelecer parâmetros de uso e ocupação
que incor- porem o eventual potencial de indução
de transformação urbana local, de forma
a estabelecer uma nova relação com o meio
ambiente urbano imediato ao Memorial.
Outro exemplo é a prática duvidosa de priorizar
a abertura de grandes avenidas, sem estabelecer parâmetros
críticos de ocupação dos bairros
lindeiros, gerando ruídos nessa paisagem urbana,
dentro do compromisso ético e estético de
indutor de transição com a cidade existente.
Ao serem implantados os corretos corredores de ônibus
nas avenidas 9 de Julho e Rebouças [em São
Paulo], a prefeitura se aprofundou na funcionalidade precípua
em detrimento da estética de suas obras complementares,
nas imediações do túnel 9 de Julho
e no complexo Paulista-Consolação.
A exemplar passarela do arquiteto Vilanova Artigas, da
década de 1970, foi desfigurada com o desenho da
útil escada executada em seu centro. A galeria
de pedestres da rua da Consolação e a passarela
do Hospital das Clínicas, que projetamos em 1970
e 1972, também sofreram interferências com
a concepção das recentes obras, importantes,
mas em grande dissintonia.
O Metrô, em um exemplo mais defensável, executou
a estação Sumaré na década
de 1990 com os mesmos conceitos e partido de nossa proposta
de 1976, liberando a paisagem visual através da
estação, e ao reproduzir a concepção
arquitetônica do viaduto Dr. Arnaldo como seu apoio.
A região se qualifica como um espaço defensável
de arquitetura e meio ambiente urbano, incorporado hoje
com o museu israelita [Centro de Cultura Judaica, projeto
de Roberto Loeb].
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| Como transformar um projeto em construção econômica? |
As obras, particularmente de interesse
social, são as mais instigantes e requerem muita
experiência profissional de todos os agentes envolvidos
no processo. Programas nacionais de erradicação
da falta de habitação, para uma população
como a brasileira, nunca foram encarados politicamente
como um ato social prioritário e contínuo.
O próprio BNH se tornou um banco financiador e
de investimento como outro qualquer.
Projetos de desfavelamento sempre são prejudicados
com a descontinuidade de seus programas e a falta de avaliações
científicas pós-uso. Aqueles locados, por
exemplo, em áreas destinadas originalmente a praças
públicas, mesmo que haja méritos sociais,
não devem ser considerados solução,
mas recurso diante da ineficiência do Estado em
tratar da problemática geral da habitação,
evitando-se favelas.
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| Há projetos diferenciados que lidam com a prioridade da economia de custos? |
Sim, os industrializáveis para
reprodução em escala, as autoconstruções
orientadas para a população de baixa renda
e aqueles produzidos pelas demais classes sociais com
edificações corretamente concebidas. Todos
requerem estudos minuciosos, desde a concepção
arquitetônica inicial até a tecnologia da
construção.
Há materiais econômicos, de grande resistência,
que não inviabilizam a boa arquitetura.
Estes podem ser os tijolos de barro, o mais antigo material
pré-moldado da história, as telhas de barro,
que são ótimos isolantes térmicos,
melhores que as condenáveis telhas de amianto,
até os pisos em cimento queimados do tipo vermelhão,
resistentes e ricos em beleza, quando bem estudados em
conjunto com tubulações hidráulicas
e elétricas aparentes. São esses os fatores
que tornam a questão estética uma postura
cultural de realidade social de um povo. Esse é
o grande desafio.
As casas coloniais e as organizações urbanísticas
de Parati e Diamantina são admiráveis, fortes
pela simplicidade, humanidade e unidade.
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| Qual é, então, a função da arquitetura moderna? |
A arquitetura moderna se contrapôs
àquelas estabelecidas, feitas em épocas
de mão-de-obra barata ou escrava. A industrialização
viabilizou materiais em escala e no século passado
se deu a eclosão demográfica e conseqüente
nascimento das metrópoles.
A arquitetura moderna deveria
ter sido - mas não foi - assimilada para a construção
em grande escala, sem ornatos e enfeites, predominando
a função e a beleza das proporções.
Poderia ter gerado a casa pré-fabricada subsidiada
pelo governo e vendida a baixo preço, como o carro
Volkswagen.
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| Como desmistificar a imagem de que um projeto custa caro e é para poucos? |
A autoconstrução feita
pela população de baixa renda é aquela
que está a seu alcance. Projetos para essa população
não poderão existir sem intervenção
ou subsídios governamentais. Portanto, não
havendo programas nacionais de construção
em massa, os arquitetos se tornam artigo de luxo para
essa população. A noção de
que o projeto custa caro é irreal. E a noção
de que arquiteto só atende a poucos é real.
Os problemas são culturais
e de má distribuição de renda. Esses
problemas culturais limitam, em sua maioria, o arquiteto
à relação com a classe de maior poder
aquisitivo e com o governo. Recentemente, Joaquim
Guedes, no Dia do Arquiteto, descreveu com propriedade,
em artigo para o Crea, publicado na Folha de S. Paulo,
como a força do mercado conduz a arquitetura a
grifes, e como esta distancia o casamento do profissional
com os interesses da sociedade.
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| É possível conciliar arquitetura e meio ambiente? |
O século 20 verticalizou a arquitetura,
industrializou sua construção, criou as
megacidades, uniu os países, mas não promoveu
o equilíbrio com o meio ambiente nem conseguiu
abrigar o contingente crescente da população
nas nações subdesenvolvidas. A arquitetura
lutou por uma linguagem própria e um meio ambiente
socializante humano. Lutou contra a nociva especulação
imobiliária.
Já no início daquele século, o grupo
modernista de 1922 se lançou com o desejo de instigar
a auto-estima dos brasileiros, através de suas
raízes e valores espontâneos, de seu potencial
latente, em busca de sua cultura ética antropofágica,
ante a submissão colonialista. A arte foi o meio
e a comunicação. Seu tempo e filosofia não
tiveram espaço prolongado diante de uma globalização
capitalista de mercado crescente, e hoje temos que continuar
expondo o que poderia ter sido assimilado há décadas.
Um caminho recomendável é o da maior atenção
à necessária verticalização
de cidades de porte médio, através da reordenação
de seus vários lotes em um único espaço
nas quadras urbanas, com estímulos de maior ocupação,
visando a requalificação do meio ambiente.
O governo, através do Estatuto da Cidade, deve
estabelecer parâmetros indutores aos futuros ambientes.
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| E qual o reflexo na produção arquite-tônica brasileira? |
Essa globalização se impôs
como filosofia verticalizadora de poder, formulando seu
próprio tempo de ação sem apoiar-se
em conceitos que não fossem as leis internacionais
do capital privado. Essas novas ordens sociais, percorrendo
“éticas” peculiares, estão interferindo
novamente na brasilidade, um novo colonialismo.
Nesse caminho, a produção da arquitetura,
ou quaisquer outros produtos da cultura específica
de um povo, perde suas características ambientais
locais e se torna um produto de reprodução
mecanizada contra a essência de sua própria
ética e êxito estético.
O novo tempo deste século imposto em parte pelas
lógicas de retornos de investimentos financeiros
é mais veloz que aquele do amadurecimento cultural
crítico de uma nova proposta assimilada natural
e horizontalmente.
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| Trata-se de uma questão ética? |
Sem uma ética de sustentabilidade,
concretizam-se os valores partidariamente dirigidos, com
parcialidade, para o acúmulo do poder, do retorno
imediato do investimento mercantilizado pelo marketing,
independentemente do valor real do produto. O consumo
pelo consumo cria sua “auto-sustentação”
em meio antagonizado. Conceitos
éticos de arquitetura e urbanismo tendem a caminhos
de valores socializantes, luta contra o uso do lote urbano
como bem privado de especulação.
Hoje se torna instrumento de marketing, usando a arquitetura
como subproduto de uma intenção de investimento
pelos retornos financeiros máximos; o próprio
Estado torna-se instrumento de mercado com a comercialização
de coeficientes de aproveitamentos construtivos. A arquitetura
torna-se também, não raras vezes, suporte
da superficialidade de elementos símbolos de “estilos”
e de construção com materiais multinacionais
de fachada.
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| E qual seria o caminho? |
A busca da ética. A arquitetura como instrumento cultural deve caminhar novamente pela criação como um processo crescente de valores incorporadores do respeito ao passado, funcional no presente contemporâneo e prospectivo pela consistência do respeito ao espaço humano do futuro.
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| Há exemplos de boa obra de arquitetura brasileira? |
Historicamente, a produção
arquitetônica brasileira é expoente mundial.
É precursora em soluções técnicas
e fortemente representativa em nossa cultura, assimilando,
quando necessário, tecnologias executivas e materiais
importados. Mesmo receptiva à
influência estrangeira, a arquitetura brasileira
deve rejeitar propostas fora de nosso contexto, mantendo
sua autenticidade.
O projeto do parque Ibirapuera, o Mube [Museu Brasileiro
da Escultura, projeto de Paulo Mendes da Rocha], em São
Paulo, o aterro do Flamengo com o MAC e sua passarela
de Affonso Eduardo Reidy, no Rio de Janeiro, os abrigos
de ônibus de Curitiba, a catedral de Brasília
são alguns exemplos admiráveis da arquitetura
e urbanismo que podemos reproduzir com coerência
com o meio ambiente.
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Por Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 40 Março de 2005 |
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