 |
 |
|
|
 |
|
|
| 30 respostas que fazem pensar |
|
 |
 |
|
| |
A seção
Entrevista, atualmente, é uma das mais lidas da revista.
Ela apareceu com certa regularidade durante pouco mais de
dois anos, do número 166 (agosto de 1993) ao 191 (novembro
de 1995), mas no contexto da seção Ensaio &
Pesquisa. Como espaço fixo, surge a partir da edição
241, de março de 2000. De lá para cá,
foram 57 encontros com alguns dos mais importantes nomes da
arquitetura brasileira.
Em 12 edições entrevistamos profissionais estrangeiros,
como o norte-americano Steven Holl, o suíço
Jacques Herzog e o italiano Massimiliano Fuksas. Além
disso, ouvimos paisagistas, designers, luminotécnicos,
engenheiros, fotógrafos e até um cliente de
arquitetura. A política também foi pauta - presidentes
de entidades do setor e arquitetos em postos governamentais
foram ouvidos por PROJETODESIGN. |
 |
 |
 |
 |
 |
| |
| Arquiteto
sobre arquiteto |
 |
Se, por um lado,
é difícil a crítica do trabalho
de um colega, por outro, também não é
comum ouvir elogios ao projeto dos outros... |
 |
 |
|
|
 |
Mas, então,
o que falta para nossa arquitetura avançar? |
 |
 |
|
|
| |
|
Joaquim
Guedes
É. E sabe por quê? É que ninguém
é perfeito. Se você vai elogiar uma coisa,
tem que, em contraposição, criticar
outra. Por exemplo, eu gosto demais do trabalho de
[Marcos] Acayaba. Mas acho que ele se perde em formalismos
estruturais que, em minha opinião, são
um desvio, por mais brilhante que resulte a forma.
Acho difícil só elogiar o trabalho de
um arquiteto, o correto é analisar criticamente
o que ele faz, destacando os pontos que se consideram
positivos e mostrando aqueles com os quais não
se concorda. Considero Acayaba um arquiteto de grande
capacidade e ele provavelmente não está
interessado em saber minha opinião. Falar bem
é também falar criticamente, é
preciso ir sempre a fundo nas coisas.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Luiz
Paulo Conde
Às vezes, é melhor errar, mas arriscar.
Ou então fazer como [Rafael] Moneo, que projetou
um museu de arquitetura em Estocolmo em que não
se sabe onde termina o antigo e onde começa
o novo. É uma obra altamente sofisticada. Ou
como a pirâmide do Louvre, que todo mundo dizia
que era ruim, mas o que se faria diferente daquilo?
Então, quando [Frank Lloyd] Wright faz o Guggenheim,
surgem a discussão, o debate, um ícone.
É isso que está faltando à arquitetura
brasileira. Veja o caso de [Carlos] Bratke, o filho,
com o número de oportunidades que teve. Juntando-se
toda a sua obra, o que ele fez? No Sesc Pompéia,
em São Paulo, Lina [Bo Bardi] projetou aquela
grande caixa, as piscinas, as aberturas irregulares.
Até achava exagerado, mas era uma atitude,
uma maneira de fazer.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
O projeto final
[da sede do IAB/SP] foi desenvolvido
em qual escritório? |
 |
 |
|
|
 |
Então, a
diferença entre seu trabalho e o de Zanine é
que o dele era mais artesanal? |
 |
 |
|
|
| |
|
Miguel
Forte
Vou explicar o que realmente aconteceu. O júri,
que teve personagens importantes como Oscar Niemeyer
e Gregori Warchavchik, escolheu o trabalho do Escritório
Rino Levi, que na época trabalhava com Roberto
Cerqueira César; o da equipe formada por Miguel
Forte, Galiano Ciampaglia e Jacob Ruchti; e o da equipe
de Zenon Lotufo, Abelardo de Souza e Hélio
Duarte.
Por eu ter trabalhado muito tempo com Rino Levi, nossos
escritórios tinham grande afinidade de projetação;
já o terceiro grupo tinha conceito de arquitetura
contemporânea muito diferente. Tínhamos
combinado fazer as reuniões para desenvolver
o projeto definitivo sempre no escritório de
Rino Levi, mas ninguém do terceiro grupo aparecia.
Até que um deles foi lá, não
me lembro mais qual dos três, e disse que, para
não criar confusão, tinham achado melhor
não participar, uma vez que pensavam a arquitetura
contemporânea diferentemente de nós.
“Façam vocês o projeto e nós também
o assinamos.” Assim foi feito. O projeto, na realidade,
é de dois escritórios, e não
de três, como muitos imaginam.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Hélio
Olga
Sim. Ele pensava que tínhamos de produzir um
sistema adaptado àquela mão-de-obra,
que nunca mudaria. Nós, desde o início,
partimos daquela base para avançar, seja no
apuro tecnológico, no entendimento das estruturas,
na precisão da montagem e, sobretudo, na qualificação
da mão-de-obra.
A idéia de Zanine é ótima, mas,
na medida em que ele simplificava demais o sistema,
a mão-de-obra não evoluía. É
claro que Zanine, como arquiteto, tinha uma visão
de artista, de pensador. A nossa é voltada
para como construir, é uma visão de
engenheiro.
Clique e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
A
influência de Niemeyer foi importante na sua formação? |
 |
 |
|
|
|
|
| |
|
Paulo
Casé
Não, na verdade minha matriz formal foi Frank
Lloyd Wright. Eu desconfiava que atrás das
formas das obras de Wright havia um conceito principal,
o que eu não via em Niemeyer. Muito embora
eu tenha descoberto depois o conceito de que a beleza
é a função. Até então,
beleza para mim era beleza.
Depois entendi o que ele dizia: a função
acaba, mas a beleza da forma permanece. Embora essa
não seja a minha visão de arquitetura,
compreendo que é a maneira de ele encará-la.
Mais tarde, quando me tornei professor [na Universidade
Federal do Rio de Janeiro], achei horríveis
aqueles corredores enormes no prédio moderno
do campus do Fundão.
O modernismo foi uma praga, não por ele, mas
pelos princípios. Os decálogos impunham
como a obra deveria ser, com brise-soleil, pano de
vidro, pilotis e por aí vai. Do contrário,
não seria moderno. Por um lado, era cômodo,
o arquiteto não precisava pensar. A forma bela
estava ali.
Clique e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Alberto
Botti
Conde é um
caso à parte, no passado ele participou bastante
[das reivindicações da categoria]. Não
culpo nenhum deles - reconheço que às
vezes estão envolvidos em um processo político
de maneira tão forte que esquecem um pouco
sua origem.
Mas seria bom se Conde se esquecesse um pouco do Rio
e Niemeyer de Cuba, e se lembrassem dos arquitetos
brasileiros. Devido à posição
que ocupam, têm bastante força para ajudar.
O problema não se resume à Lei de Licitações,
mas ela é um exemplo do profundo desprezo que
o governo brasileiro tem pelo projeto.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
E ninguém
critica
Oscar Niemeyer. |
 |
 |
|
|
| Arquiteto
e política |
 |
Com o Colégio
[de Arquite-
tura e Urbanismo] funcio-
nando, as atuais entidades desapareceriam, especialmente
o IAB? |
 |
 |
|
|
| |
|
Roberto
Segre
Todos têm medo de tocar nesse tema. O único
que o fez foi Otávio Leonídio, em um
texto que saiu na revista Bravo. Acho que falta um
pouco de capacidade para assimilar a crítica.
Se alguém faz um texto de que não gosto,
digo: “Olha, você tem uma visão que não
é compatível com a minha”.
Meu livro Arquitetura contemporânea tem um texto
crítico, a minha visão do que aconteceu
na arquitetura brasileira. Não é a mesma
visão de [Carlos Eduardo] Comas ou de Ana Luíza
Nobre. Por que nenhum deles diz “Olha, Segre, você
não é daqui, sua primeira contribuição
brasileira é essa...”? As revistas deveriam
exercer essa função crítica.
Nos livros, que são mais permanentes, é
mais difícil fazer polêmica. A academia
é mais tradicional, e ali não há
publicações controversas. As revistas
deveriam ser polêmicas. Na Europa, as revistas
de arquitetura são assim.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Carlos
Maximiliano Fayet
Pessoalmente, acho que as entidades deveriam
se fundir em uma, forte, que cumpriria tríplice
papel: cultural, parassindical e de fiscalização
profissional. A existência separada se presta
àquela entidade que possui recursos e pode
repassá-los a outras.
Serve também para acirrar a disputa pelo poder
e, em alguns casos, para cooptação.
Essa é, repito, minha posição
pessoal. Na prática, acho que a maioria ficará
como está. Talvez ainda seja prematuro partir
para a fusão, mas continuo achando que deve
ser deixada uma porta aberta para essa possibilidade.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
O
Ippuc [Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de
Curitiba] foi constituído na época do
governo militar. Ele teria a mesma eficiência
se nascido em outra situação? |
 |
 |
|
|
 |
Quando
foi criado o IAB, as
preocupações eram muito
semelhantes com as que culminaram com a criação
da Asbea [Associação Brasileira de Escritórios
de Arquitetura], inclusive a empresarial. Em sua opinião,
em que momento se sentiu a necessidade de uma nova entidade? |
 |
 |
|
|
| |
|
Jaime
Lerner
O Ippuc nasceu com uma visão que combatia o
autoritarismo e abria mais espaço para a discussão
da cidade.
Ele sempre foi um fórum de debates, sem impor
nada, mesmo porque a visão estratégica
da cidade é um jogo em que o início
ora cabe à população, ora ao
próprio planejamento.
Clique e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Henrique
Cambiaghi
Essa preocupação empresarial o IAB ainda
tem, uma vez que o arquiteto já não
pode exercer sua profissão como autônomo.
Só organizado em empresa o profissional pode
fazer um projeto para o setor público, por
exemplo. Se não tiver uma empresa, por menor
que seja, o imposto retido na fonte pode até
ser maior do que a remuneração que o
arquiteto vai receber.
O foco do IAB atinge um pouco essas preocupações,
mas ficou mais centrado nas questões da arquitetura
em si, do profissional individualmente, como pessoa
física, com o urbanismo, com a cidade, com
os concursos de arquitetura. Já a Asbea tem
seu foco na necessidade de estruturar melhor os escritórios
para que eles atendam o cliente como empresa.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
Essa
sabatina é folclore
ou aconteceu? |
 |
 |
|
|
| Design
brasileiro |
 |
Entre
os designers brasilei-
ros, vocês têm maior visibilidade na mídia
nacional e maior penetração no mercado
internacional. A que atribuem esse sucesso? |
 |
 |
|
|
| |
|
Demetre
Anastassakis
Aconteceu, e para mim foi uma honra. Reuniram vinte
e poucas pessoas; alguns eram velhos amigos, outros
conheci naquela noite. Fui para ser sabatinado, não
estou reclamando disso. E me viraram do avesso para
saber em quem poderiam confiar numa parceria. Falamos
até de pontos delicados, como a minha participação
no grupo que disputou algumas vezes a liderança
do IAB, encabeçado por Maria Elisa Batista,
de Minas.
“O que houve, você trocou de amigos? Trocou
a Maria Elisa e a amizade com Ceará e Bahia
por São Paulo”, questionaram. Maria Elisa vai
participar com muita força da minha gestão,
isso é sabido por São Paulo. Não
troquei de amigos, estou tentando ampliar. Maria Elisa
tem uma opinião muito forte, Belleza e [Paulo]
Sofia também. Não estou trocando um
pelo outro.
Sou uma pessoa de esquerda que dialoga com empresários.
Nasci na Grécia e tenho orgulho da dialética.
O importante é o diálogo. Tenho opiniões
fortes. Dialogo até com o capeta. Fui preso
e dialoguei com o torturador. Então, vou dialogar
com a Abea, com a FNA, como dialogo com os setores
do IAB. Não é vergonha ter opiniões
fortes que podem mudar, eu não posso é
ter opiniões fracas.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Fernando
Campana
Até pouco tempo atrás, ainda duvidava
do nosso sucesso. Queria criar galinhas ou abrir uma
pousada no interior. Agora acho que nosso sucesso
está ligado à ousadia. Abrimos mão
do ganho fácil para manter nossa ousadia.
Demos certo, sobretudo, porque temos a necessidade
de comunicar de forma ousada, sempre testando os limites
da nossa capacidade de criação.
PROJETODESIGN 247, setembro de 2000.
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
O
senhor acha que conse-
guiu criar um design com
características brasileiras? |
 |
 |
|
|
 |
O
senhor ganhou dinheiro
com a [poltrona] Mole? |
 |
 |
|
|
| |
|
Alexandre
Wollner
Não. Temos bons designers brasileiros, mas
sem características brasileiras bem definidas.
Temos características globais. Quem deve criar
características brasileiras são as escolas,
que são os laboratórios da nova linguagem.
Não digo que não é possível
fazer isso, mas alguém tem que insistir nisso.
A Bauhaus e a Ulm, onde eu estudei, e mesmo a IAC,
eram escolas que tinham certo idealismo. Se eu quiser
fazer uma escola de design no Brasil, tenho que entrar
no esquema acadêmico e ser aprovado no Ministério
da Educação, que está 20 anos
atrasado. A Bauhaus e a escola de Ulm também
não poderiam entrar no esquema acadêmico,
pois eram particulares e os diplomas não eram
reconhecidos.
O aluno estudava lá não para receber
o diploma, mas para aprender uma profissão.
Todos os estudantes dessas escolas eram praticamente
profissionais, alunos-profissionais, que estudavam
o dia todo. Não ficavam tomando chope.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
| Entrevistas
históricas |
 |
O
edifício [do Ministério da
Educação e Saúde], na época,
foi muito combatido pela opinião pública,
não? |
 |
 |
|
|
 |
Quando
a arquitetura moderna paulista começou a chamar
a atenção? |
 |
 |
|
|
| |
|
Lucio
Costa
Sim, achavam uma aberração um edifício
assim, que não ocupava o terreno todo, achavam
uma extravagância, que era uma arquitetura imprópria
para o país, que era arquitetura para o norte
da Europa e nunca para a América do Sul, para
um país tropical. E o resultado foi que aqueles
espaços ventilados, aqueles pilotis vazados,
aquela população circulando, arejada,
foi uma coisa muito adequada.
Hoje ele tem características até peculiares
de país tropical. Graças ao [então
ministro Gustavo] Capanema, que se apaixonou também
pelas nossas teses e deu mão forte, arriscando
até a posição política
dele - ele quase deixou o ministério porque
a campanha contra era intensa.
PROJETO 104, outubro de 1987
|
|
|
|
Oswaldo
Bratke
A arquitetura paulista começou a despertar
interesse um pouco antes das comemorações
do quarto centenário da cidade [1954]. Vinha
muita gente querendo ver arquitetura. Quando vinham
um, dois, tudo bem - você saía do escritório
e ia mostrar o que era o mais representativo da arquitetura
feita aqui. Depois, não foi mais possível.
Então organizamos um grupo de estudantes para
mostrar a cidade. Max [Grunewald, editor da revista
Acrópole] naquela ocasião fez um vade-mécum
da arquitetura de São Paulo que os visitantes
recebiam e os estudantes os conduziam, porque para
nós já era muito penoso.
Lembrou-se no Departamento de São Paulo do
Instituto de se montar no IAB uns painéis que
se abriam como um livro. O arquiteto que quisesse
afixava neles o que julgasse o mais representativo
de seu trabalho. Quando aparecesse uma visita, ela
seria encaminhada a esses painéis e poderia
conhecer alguns projetos, o nome do seu autor, o endereço
das obras e, se quisesse, tinha informações
para ir visitá-las. O arquiteto teria o direito
de trocar à vontade o material exposto.
No entanto, não foi possível concretizar
isso porque terminava nosso mandato. Mas poderia ser
feito perfeitamente hoje: uma exposição
permanente de arquitetos de São Paulo.
PROJETO 106, dez. 1987/jan. 1988
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
| Escola
paulista |
 |
Como
você explica o fato de arquitetos de São
Paulo escolherem o brutalismo entre as várias
tendências surgidas após a Segunda Guerra? |
 |
 |
|
|
 |
Em
“Caminhos da arquitetura” você disse: “Ou se faz
a revolução, ou se faz a arquitetura que
existe por aí mais ou menos”. Mas você
deixa no ar... |
 |
 |
|
|
| |
|
Sérgio
Ferro
Tenho uma hipótese. Acho que foi por causa
de Artigas, embora ele não gostasse da palavra
brutalismo. Um pouco antes de esse movimento aparecer,
Artigas já fazia um tipo de plástica,
de estruturação do espaço e até
de manipulação da técnica que
ia nesse sentido.
O curioso é que o brutalismo no Brasil tomou
uma direção oposta à de sua origem,
o Convento de La Tourette. O projeto de Le Corbusier,
embora não tenha sido o primeiro, foi uma espécie
de símbolo do movimento. Recentemente, em Grenoble,
terminamos uma pesquisa sobre essa obra em que aparece
nitidamente a diferença de postura entre Artigas
e Corbusier, sobretudo quanto à estrutura.
Enquanto na obra de Artigas a estrutura é clara,
bem pensada e aparente, no convento o que se vê
não é a estrutura real.
Desse modo, aquela espécie de sinceridade construtiva
da obra de Artigas toma um sentido inverso no convento,
onde há muito décor, muito reboco e
argamassa. No Brasil, neste período, principalmente
através de Artigas, a tese de base era aproveitar
cada componente da técnica construtiva com
a máxima clareza e honestidade.
PROJETO 86, abril de 1986
|
|
|
|
João
Batista
Vilanova Artigas
Deixei no ar. Tanto assim que depois eu disse: “É
preciso tomar uma posição crítica”
- que foi o que me salvou. Porque, se você assegura
para si uma posição crítica,
aí escolhe este ou aquele, mas não pára.
Porque você não pode parar. Como se pode
lutar por uma nova arquitetura sem fazer uma? Estabelece-se
um nível de poder dentro do qual daqui por
diante tudo que vier de arquitetura o Artigas acha
bom... Não pode. Não tem sentido.
Estabelece-se uma posição a-histórica.
Isso eu digo hoje. Porque revejo bem direito. Mas
isso é uma temática que mereceria um
debate atualmente se a Faculdade de Arquitetura, a
FAU, fosse um lugar vivo, de cultura arquitetônica,
se meus colegas não fossem tão atrasados
e tivessem vontade de conversar comigo... Mas vou
te responder: encontrei algumas formas pessoais de
usar a sabedoria arquitetônica, de fazer, no
jeito de construir, as relações entre
a arquitetura e a casa. De tal forma que as coisas
que o Oscar faz não são a mesma coisa
que as casas que eu me propus realizar.
PROJETO 109, abril de 1988
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
Você
aceita a filiação do
escritório à escola paulista, em algum
momento de sua história? Vocês se reconhecem
em algum de seus preceitos, como, por exemplo, “as formas
se justificam enquanto estrutura”? |
 |
 |
|
|
 |
O
senhor se considera
um integrante da escola
paulista? |
 |
 |
|
|
| |
|
Roberto
Aflalo
Desde quando começamos a trabalhar - em 1949
eu já tinha escritório com o Plínio
-, sempre nos consideramos muito influenciados pela
Bauhaus e procurávamos os arquitetos que achávamos
que tinham a mesma influência, como Rino Levi,
Salvador Candia, Jacob Ruchti.
Sempre nos consideramos o oposto da arquitetura não
só de Le Corbusier, Niemeyer, da arquitetura
carioca e do Brazil Builds, como da arquitetura paulista.
PROJETO 139, março de 1991
|
|
|
|
Ruy
Ohtake
Não concordo muito com a expressão “arquitetura
paulista”. Quando me formei, ela estava no auge, com
uma produção muito interessante. Mas
sempre achei que era preciso acrescentar certo lirismo,
um pouco de gesto à chamada arquitetura paulista.
Então, desde o início, introduzi em
minhas obras esse prazer pelas curvas, essa relação
um pouco aberta entre a forma e a estrutura, tanto
que já fui chamado de “o mais carioca dos arquitetos
paulistas”. Fui caminhando assim na seqüência
de meus projetos, pois achava importante que essa
liberdade de forma e de desenho transparecesse também
na expressão da obra.
Uma das características da arquitetura brasileira
sempre foi saber dar expressão à obra,
tanto por sua forma e volume, quanto por sua limpeza,
pelo cuidado no tratamento dos espaços e por
sua forte relação com a estrutura. E
ainda por permitir maior liberdade para inovações
e surpresas.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
Então
a chamada escola
paulista foi “inspirada”
pelo governo? |
 |
 |
|
|
 |
Em
entrevista recente a PROJETO DESIGN, o arquiteto Fábio
Penteado questionou a propriedade da expressão
escola paulista para designar uma corrente arquitetônica.
O senhor concorda com ele? |
 |
 |
|
|
| |
|
Fábio
Penteado
Ela aconteceu dessa maneira devido a uma explosão
da demanda de obras por parte do governo. No entanto,
ela estava muito ligada a uma interpretação
duvidosa, que era a predominância do uso do
concreto. Pois ela passou a ser uma forma caipiríssima
de interpretar.
Tudo era concreto aparente: coisas medíocres
e medonhas, só porque eram de concreto aparente,
estavam dentro dessa escola. Nos concursos de arquitetura,
os trabalhos já eram desenhados em concreto
aparente, que virou um dogma. Imagine uma seqüência
de tudo em concreto, capenga, brutalista. No grande
conjunto dessa arquitetura chamada paulista, há
pouquíssimas coisas com começo, meio
e fim. Acho que é essa diferença entre
o Rio de Janeiro e São Paulo.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Decio
Tozzi
Certamente, escola paulista não quer dizer
uma exclusividade de São Paulo como manifestação
de determinado momento da arquitetura brasileira.
Ocorre, porém, que, em toda a etapa modernista,
jamais foram questionadas as relações
espaciais como correspondentes a relações
sociais antiquadas. E, encerrado o ciclo da arquitetura
moderna - do qual Brasília talvez seja o cume
-, existia um enfoque que mergulhava exatamente no
questionamento das estruturas espaciais existentes
na casa, na escola e nos diversos edifícios,
diretamente ligado à antropologia, ao modo
de vida da sociedade.
Acredito que foi o grupo de São Paulo, liderado
por Vilanova Artigas e outros, o difusor dessa preocupação,
logo seguida pelas novas gerações, como
as de Joaquim Guedes, Carlos Millan e Paulo Mendes
da Rocha, e, mais recentemente, por minha geração.
O questionamento das relações espaciais,
da correspondência entre arquitetura e sociedade,
é um grande mérito do grupo de São
Paulo.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
| Pós-moderno
mineiro |
 |
O
senhor se considera um
pós-moderno? |
 |
 |
|
|
 |
O
senhor integrava um movimento, denominado pós-modernismo
mineiro, surgido nos anos 80, que fundou até
uma revista para mostrar o que estava sendo produzido.
Que aconteceu com esse movimento? |
 |
 |
|
|
| |
|
Éolo
Maia
Não me classifico como nada, porque não
tenho nada predeterminado, só sei que quero
fazer arquitetura com prazer e contemporaneidade.
A vida é muito dinâmica, eu mudo todo
dia, e a arquitetura é uma expressão
cultural que se reflete em meu trabalho.
As fórmulas se tornam uma chatice, e a ânsia
de estar na onda é um erro. Não se pode
ser fechado, dogmático. É preciso ter
liberdade total.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Gustavo
Penna
Nunca fiz nada pós-modernista. Veja o prédio
da TV Bandeirantes, que é de 1981, 20 anos
atrás: é limpinho, nunca tive intenção
decorativa no projeto. Na época em que a revista
Pampulha surgiu eu também não fazia
parte - entrei em reportagens dela, mas não
integrava seu corpo editorial.
Já ouvi falar em escola mineira e em pós-modernismo,
e que eu estava lá. Mas Minas, como já
disse Guimarães Rosa, são muitas. As
arquiteturas de Minas também são muitas,
e o fato de eu discordar do que outro faz não
quer dizer que esteja em antagonismo com ele. Devemos
ter apreço imenso pela pluralidade e pela diversidade,
pois o nivelamento cultural, o alinhamento são
terríveis. Mas o movimento proliferou.
Veja que, depois de Minas, surgiram vários
outros grupos que se manifestaram na cena nacional.
São Paulo e Rio, que eram os únicos
que falavam, passaram a ouvir também. Então,
hoje existe um debate mais ampliado. Se você
está aqui é porque está ouvindo
o Brasil.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
| Escola
do Recife |
 |
O
senhor é citado pelos ar-
quitetos pernambucanos,
junto com Delfim Moreira e Luís Nunes, como fundador
da escola do Recife. É correto falar em escola?
Ela ainda existe? |
 |
 |
|
|
 |
Fala-se
que a arquitetura do Recife é muito peculiar,
que resiste aos modismos e respeita o entorno e as condições
climáticas da região. Essa arquitetura
seria resultante do pensamento da chamada escola do
Recife? |
 |
 |
|
|
| |
|
Acácio
Gil Borsoi
Certa vez, o Jornal do Brasil me fez pergunta semelhante.
Respondi que, se forem válidas como escolas
as expressões arquitetônicas do Rio -
em que existe a preocupação de criar
no sentido da emoção e de valores subjetivos
- e de São Paulo - que, sob a orientação
de Artigas, transformava tudo em bunkers de concreto,
caixas de concreto com pestanas -, então a
do Nordeste existe, sim.
É uma expressão arquitetônica
em que a luz, a sombra, o vento e a transparência
fazem parte do projeto. E que faz uso de terraços,
grandes beirais, muita sombra, por causa do calor.
A preocupação com o conforto ambiental
fez parte da nossa pauta de trabalho na escola de
arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco
e dela saiu uma tipologia característica.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Evaldo
Bezerra Coutinho
Depois das obras de Luís Nunes, começou-se
a construir de maneira muito semelhante. Era como
se houvesse uma receita para a arquitetura. Isso fez
com que os edifícios ficassem todos muito semelhantes
do ponto de vista plástico.
Mas nessa época, também sob o ponto
de vista estético, a arquitetura feita no Rio
de Janeiro era muito semelhante à que se praticava
no Recife. Na verdade, tratava-se de uma arquitetura
moderna, racionalista. Não posso dizer que
houve no Recife uma escola de pensamento, uma ação
coletiva.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
| Olhar
estrangeiro |
 |
A
arquitetura latino-americana chama sua atenção? |
 |
 |
|
|
 |
Daquilo
que você conheceu
da arquitetura brasileira nestes dias, o que mais gostou? |
 |
 |
|
|
| |
|
Alan
Colquhoun
Ontem estava folheando a PROJETO e achei dois projetos
bastante interessantes, que apreciei muito. Não
me lembro do nome dos arquitetos...[foi buscar as
revistas].
São estes: o Centro de Cultura e Lazer do Sesc
de Nova Iguaçu [de Hector Vigliecca e Bruno
Padovano, PROJETO 153] parece um projeto sério
e direto, bastante simples, com unidade no uso dos
materiais, e a casa Gerassi [de Paulo Mendes da Rocha,
PROJETO 155], que tem certo minimalismo miesiano,
talvez algo nostálgico dos anos 30.
PROJETO 159, dezembro de 1992
|
|
|
|
Mario
Botta
Sem dúvida, o Sesc Pompéia, de Lina
Bo Bardi. Creio que é uma obra belíssima,
um marco da arquitetura moderna deste século.
Compreendi muitas coisas visitando essa obra. Numa
cidade das dimensões de São Paulo vocês
podem reutilizar esses equipamentos enormes e desativados,
como aquela fábrica.
É uma recuperação de grande qualidade,
muito diferente do que se faz na Europa, onde as obras
de restauro são muito bem-feitas, mas sem a
força criativa que se percebe no Sesc Pompéia.
E os edifícios novos têm força,
e uma relação com a cidade que combina
e contrasta, só possível naquele lugar.
Bravíssimo!
PROJETO 176, julho de 1994
|
|
|
| |
 |
|
|
|
| |
 |
Qual
sua visão sobre a obra de Oscar Niemeyer? |
 |
 |
|
|
 |
Atualmente,
com qual
arquiteto do cenário internacional o senhor
se identifica? |
 |
 |
|
|
| |
|
Luigi
Snozzi
Gosto das obras do início da carreira de Niemeyer,
até a década de 60. Principalmente a
Universidade de Brasília. Um pavilhão
extraordinário: dois muros, um teto e basta.
E depois um grande edifício de 700 metros,
também extraordinário. São duas
coisas que considero emocionantes. Muito melhor que
as outras obras, que acho um pouco femininas.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
|
Steven
Holl
Jean Nouvel tem um trabalho interessante, com experimentações
e, sobretudo, uma precisão em escalas maiores.
Seus projetos possuem uma estrutura conceitual e ideológica
que cria nova dimensão para a leitura da arquitetura.
Tempos atrás, existia uma linha ideológica,
com a qual todos concordavam. É quando começa
a florescer o grande trabalho de Oscar Niemeyer, que
criou uma linguagem original para o movimento moderno.
As obras dele são um legado da arquitetura
internacional e precisam ser preservadas.
Visitei a casa em que ele morou na estrada das Canoas,
no Rio de Janeiro, cuja cobertura tem goteiras. É
uma residência impressionante e, na minha opinião,
uma chave para a compreensão da arquitetura
do século 20. Precisa ser preservada, restaurada.
É como a casa Farnsworth, de Mies van der Rohe,
que, depois da polêmica sobre sua venda, vai
ser preservada pelo estado de Illinois e reaberta
ao público.
O Brasil precisa fazer a mesma coisa com obras como
a casa das Canoas, o tipo de projeto que atrai visitantes
de todo o mundo. Espero que esta entrevista ajude
a Fundação Niemeyer a preservá-la.
Clique
e leia a entrevista na íntegra
|
|
|
| |
|
|
|
|
| |
Clique
e veja o especial PROJETODESIGN 300 |
|
| |
 |
|
|
|
|