Artesanato Design
Made in Amazonia
 
Executado pela Fundação Centro de Análise e Pesquisa Tecnológica (Fucapi) e coordenado pelo arquiteto e designer Luiz Galvão, o Projeto Design Tropical da Amazônia pretende difundir a expressiva produção local nos mercados nacional e internacional, divulgando e comercializando peças.

A diversidade formal do artesanato do Amazonas expressa-se principalmente na produção de objetos utilitários e decorativos em madeira, cerâmica, couro e palha trançada, em que o traço comum são as matrizes culturais indígenas e caboclas - tramas geométricas e fortes contrastes de cores.

A atividade ainda não é meio de subsistência para os artesãos locais, que enfrentam inúmeros problemas, decorrentes sobretudo das dificuldades de comunicação entre os municípios e Manaus, centro urbano de distribuição dos trabalhos.

O Projeto Design Tropical da Amazônia pretende ajudar os artesãos a superar essas dificuldades, atuando na criação, aprimoramento, reprodução, divulgação e comercialização das peças.

Em sua fase inicial de implantação, está realizando oficinas de criação nas cidades com o objetivo de identificar os produtores, objetos e técnicas relevantes nas várias localidades, além de ensinar métodos de acabamento em madeira, desenho técnico, noções de design e qualidade do produto.
Como resultado, foram elaborados 85 protótipos de autoria de Luiz Galvão, coordenador do programa.

Criados às vezes em parceria com os próprios artesãos, representam uma releitura de seus principais trabalhos, mas também propõem novos desenhos e possibilidades de utilização das madeiras e do artesanato amazonenses.

O apelo ecológico é um dos diferenciais do projeto, que procura usar restos de madeira, sementes e fibras naturais como matérias-primas alternativas ao esgotamento dos recursos naturais da região.

Jansen Mauro Lopes
, designer da Fucapi, cita os exemplos dos artífices Istênio Gomes Pereira e José de Souza Batista.

O primeiro, exímio torneador de Novo Airão que, tradicionalmente, trabalhava no feitio de bases para camas, demonstrou sua habilidade executando o estojo porta-copos criado por Galvão.

Ele até sugeriu a adoção da madeira angelim-rajado, por sua coloração e disponibilidade na região.

A Batista, artesão cearense radicado em Manaus há dez anos, foi lançado o desafio de alterar sua técnica de trabalho com grãos de areia pela adoção da serragem das madeiras, levando em consideração suas colorações naturais. Ele propôs a criação de totens, peças que reproduzem pinturas corporais indígenas.

Entre protótipos e reproduções, 671 peças estão em fase final de execução na marcenaria-piloto montada na Universidade do Amazonas, onde trabalha a equipe de marceneiros formada por Galvão.

Está prevista a realização de três exposições nacionais - em Manaus, Brasília e São Paulo -, a partir deste ano, nas quais os objetos da fase inicial do programa serão comercializados.

Posteriormente, pretende-se criar, em Manaus, o Centro de Design Tropical, local de estudo, pesquisa, capacitação profissional e exposição permanente das peças produzidas pelo projeto.

A meta é estabelecer demanda nacional e internacional para o artesanato amazônico, aprimorando-o com o uso do design.

Assim, a atividade funcionará como alternativa de ocupação ambientalmente correta e geração de renda para as populações cabocla e indígena.

Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 258 Agosto 2001

 
Vaso faz uso inovador da palmeira tucumã, extraída
quando não produz mais frutos Foto: Lara Urien
 
Totens indígenas:
versão amazônica,
com serragem
de madeira
Foto: Lara Urien
Castiçal com base em madeira saborana e topo reaproveitando a semente do tauari, fruta consumida pelos macacos
Foto: Lara Urien
   

Centro de mesa reaproveita bateias, disponíveis no mercado municipal de Manaus; bases em madeira coração-de-negro
Foto: Lara Urien

   
O cabideiro paricatuba é exemplo
da interação entre as tradições locais e o design de Luiz Galvão;
o busto, suporte para exposição
de chapéus, foi incorporado
ao desenho Foto: Fucapi
Castiçal: as madeiras violeta e amarelo-cetim alternam-se na base da peça, que incorpora a zagaia, utilizada na pesca
do pirarucu Foto: Lara Urien
 
Porta-correpondência e vasos tríplices, com desenho inovador na regiao, exploram as combinações
de cores fortes das madeiras amazônicas Foto: Lara Urien
Conjunto de lápis:
porta-papéis e documentos reaproveita sobras de madeiras variadas
Foto: Lara Urien
 
 
  Estojo para porta-copos:
artesão sugeriu uso do
angelim-rajado
Foto: Lara Urien
Porta-correpondência, exploram as combinações de cores fortes das madeiras amazônicas
Foto: Divulgação Fucapi
Esferas marchetadas e farinheira: técnica de torneamento testada em detalhes na execução. As esferas provêm de um cubo que reúne pequenos pedaços, colados, de madeira
Foto: Lara Urien
   
 
    Peneira da tribo baniua foi adequada ao desenho
de uma fruteira, em madeira marupá Foto:Lara Urien
Em madeira marupá e reaproveitando o fruto
da cuieira, as cestas
para pão Foto: Lara Urien
Fruteira com cesto ianomâmi: utilizando a fibra do cipó titica,
se diferenciam pelos tons
claros Foto: Divulgação Fucapi
O cesto de roupas de fibra de arumã, da tribo baniua, deu lugar ao pufe com rodízios cromados
Foto:
Lara Urien
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