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Organizada por Janete Costa,
um dos nomes mais destacados da arquitetura de interiores
do país, a mostra Pernambuco - Arte Popular e
Artesanato movimentou os espaços do Rio Design
Barra em maio de 2001.
Além de ocupar a área de exposições,
lojas especializadas em design cederam espaço
para
o artesanato pernambucano.
Pesquisadora de arte popular há cerca de 40 anos
e uma das maiores conhecedoras de artesanato
do país, a arquiteta pernambucana sempre incorpora
peças artesanais a seus projetos, realizados
em vários pontos do Brasil.
"No Rio Design Barra, minha intenção
não era fazer mais uma exposição,
mas mostrar que objetos de artesanato podem ser usados
sem culpa junto a outros de design sofisticado, desde
que haja um diálogo entre eles.
O artesanato aquece e embeleza os ambientes, não
se trata apenas de alternativa barata", explica
a curadora da mostra.
A idéia da exposição partiu dos
próprios artesãos de Tracunhaém
e Caruaru, em Pernambuco, que, isolados, absolutamente
anônimos e sem conseguir vender seus produtos,
pediram ajuda à arquiteta.
Em duas oportunidades anteriores, ela havia organizado,
com sucesso de público e de vendas, mostras de
artesanato pernambucano no Rio de Janeiro.
Para essa mostra, Janete Costa queria um espaço
de bom gosto, no qual as peças pudessem ser expostas
com respeito, bem iluminadas, integradas ao ambiente.
Ela conseguiu um espaço privilegiado - o interior
de 15 lojas - cedido pelo Rio Design Barra (PROJETO
DESIGN 253, março de 2001) e ainda o apoio do
governo pernambucano, que enviou uma carreta com as
peças de artesanato previamente selecionadas
por ela.
Ao todo, foram mais de 5 mil peças, tanto de
arte popular (bruxas de pano, mamulengos, máscaras,
figuras de cerâmica, peças de fibra) quanto
de artesanato tradicional, objetos de uso doméstico
como potes e panelas de barro, leiteiras de zinco, tapetes,
cestas, mantas, toalhas de mesa e colchas de cama bordadas
ou de retalhos, rendas etc.
Na montagem, realçados por iluminação
adequada, em cenários de cores exuberantes, os
objetos se integraram aos ambientes criados pela arquiteta.
Textos explicavam que o artesanato de utensílios
domésticos no Nordeste é consumido pela
própria comunidade local, por pessoas da mesma
classe social, cujo poder aquisitivo não lhes
dá acesso aos produtos industrializados.
Esse setor informal ocupa hoje cerca de 60 milhões
de pessoas da região, que trabalham de maneira
rudimentar, enfrentando grandes dificuldades técnicas
e de comercialização.
De acordo com Janete, para que o artesanato saia dos
limites regionais e atinja preço que assegure
ao artesão melhor qualidade de vida, necessita
de assistência técnica, que deve ser fornecida
por entidades do governo ou por cooperativas, "para
evitar especulação nessa fase de desenvolvimento
da atividade".
Ela exemplifica: de um total de 30 potes que o artesão
põe no forno, só dois saem inteiros.
Janete defende também um projeto de desenvolvimento
técnico em parte desse artesanato tradicional,
de maneira que, sem perder suas raízes, ele evolua
e possa superar os limites regionais, atingir todo o
país e chegar ao exterior.
A arquiteta pretende organizar, ao menos quatro vezes
por ano, mostras semelhantes do artesanato de outros
estados, com ênfase nos do Norte e Nordeste.
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 Junho DE 2001.
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