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O Prêmio Sueco de Excelência
em Design é promovido pela Svensk
Form, fundada em 1845, a mais antiga entidade
dedicada ao design no mundo. Criada por iniciativa do
governo, é uma associação sem fins
lucrativos, mantida por cerca de 60 fabricantes e empresas
do setor, com o objetivo de promover o desenho sueco
dentro e fora do país.
A entidade organiza eventos, exposições,
publica a Form (principal revista de design da
Escandinávia) e ainda funciona como uma espécie
de fórum oficial para discussões sobre
direitos autorais e apuração de denúncias
de plágio no setor. O prêmio, que tem também
a tarefa de catalogar e documentar a evolução
do design na Suécia, conta com um júri
formado por membros indicados pelas diversas associações
regionais de designers e um representante da Svensk
Form.
Este ano, os participantes foram premiados nas categorias
mobiliário,
iluminação,
design têxtil, industrial,
gráfico e
de website.
"A premiação tem o objetivo de identificar
exemplos atuais que permitam aprofundar o conceito de
bom design e estimular os fabricantes suecos a investir
no desenvolvimento de seus produtos", explica o
designer Johan Huldt, criador do lendário
escritório Innovator, na década
de 80, e atual diretor da Svensk Form. O prêmio
refletiu uma comprovação de âmbito
global: a crescente preocupação com a
pesquisa de materiais e tecnologias capazes de melhor
expressar as tendências e necessidades contemporâneas.
Um exemplo são os tecidos para cortina Alpha-Beta-Gamma,
desenvolvidos pela designer Gunilla Lagerhem-Ullberg.
Nas janelas, eles brincam com a luz, a transparência
e o tema da imaterialidade, também abordado por
Gunilla Allard na cadeira Cosmo. Candidata
a clássico do design sueco, a cadeira exibe um
curioso efeito visual criado pela tela de tecido sintético,
especialmente desenvolvida por Gunilla.
Outra tendência mundial presente na premiação
é a releitura de antigos e sólidos objetos
do cotidiano que, por alguma razão, mantiveram-se
alheios - pelo menos até agora - ao ataque do
design. Caso do cybercajado para caminhadas no
campo Joystick, de Björn Dahlström:
o design aplicado a segmentos inusitados abre novos
campos de atuação para o profissional.
Seguem nessa trilha as ferramentas redesenhadas pela
equipe do Ergonomen Design Gruppen, de Estocolmo,
com a ergonomia aplicada ao bom desempenho das ferramentas
tradicionais.
Bastante conhecidos dos escandinavos, os grampos
para auxílio em escaladas no gelo
foram redesenhados pelos designers Johan Larsvall,
Stellan Holmer e Bengt Johansson, ganhando
revestimento de cortiça na versão Crampons,
material nada high-tech, mas ideal para melhorar a aderência
das mãos molhadas. Também em moda estão
os novos usos para antigos materiais - ou mesmo
objetos -, caso da luminária PS, de Henrik
Kjellberg e Mattias Lindqvist, produzida
pela Ikea.
Questão de honra da indústria do país,
a qualidade impecável de materiais e acabamentos
não passa despercebida a um brasileiro que visite
a exposição do prêmio da Svensk
Form: do imbatível automóvel Volvo
aos móveis de plástico para cozinha
da Ikea ou à linha de sofás e cadeiras
Doppio, da Offecct. De acordo com o arquiteto
e professor sueco Love Arbém, membro do
júri da premiação, a tendência,
que ele denomina retromodernismo, observada nessa
edição do prêmio, poderia estar
relacionada à necessidade de o design criar identificações
também emocionais. "Talvez a atual geração
da informática esteja sentindo saudades da sua
infância, da época do boom da construção
dos apartamentos" teoriza.
Texto resumido a partir de reportagem
de Ricardo Antônio
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 254 Abril 2001
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