|
Os jovens designers já haviam trabalhado juntos no escritório Índio da Costa Design e também na Miolo Design Inteligente, onde se familiarizaram com boa parte do conhecimento sobre as ferramentas disponíveis para a atuação do designer industrial - cada vez mais, as pequenas e médias equipes de criação têm à disposição recursos como a prototipagem rápida, que lhes abre um canal de comunicação com grandes empresas.
Se no passado recente (anos 1990, por exemplo) apenas grandes escritórios conseguiam interferir no processo fabril - motivando a fabricação de novos moldes a um custo que poderia chegar à casa dos 3 milhões de reais -, há pelo menos cinco anos a situação é diferente. Jovens profissionais têm conseguido desenvolver projetos de escala industrial, na esteira aberta por escritórios maiores e com a ampliação do número de prestadores de serviços que fazem mock-ups e protótipos com alta definição.
No caso da linha da Intelbras desenvolvida pelos profissionais do escritório Sincrodesign, o projeto teve início com extensas pesquisas de mercado. A partir da análise dos produtos disponíveis comercialmente, concluiu-se que predominavam equipamentos que, tanto pela forma rígida como pelos mecanismos de alarme e de programação, apoiavam-se conceitualmente no medo como sensação motriz do processo de design.
Foram 30 dias de pesquisas - um período curto, se considerada a média de três meses de trabalho em projetos semelhantes -, que envolveram desde uma psicóloga até especialistas na área de segurança. “Essa etapa é fundamental para a criação. O design em certo sentido nasce da própria pesquisa”, comenta o designer Jaakko Tammela.
Inicialmente, portanto, o projeto foi na direção contrária da ansiedade gerada pela maioria dos equipamentos pesquisados. Assim, entre as tendências gerais consideradas no processo de desenvolvimento figuraram idéias como bem-estar, efemeridade, independência entre estética e funcionalidade, customização.
Esses conceitos evoluíram para diretrizes como forma fechada, uso de elementos circulares, referência a materiais naturais e agradáveis ao toque, assim como harmonização dos equipamentos com o ambiente. A elas ainda se somaram cuidados com o suave grafismo e com alarmes menos estridentes, vinculados a frases customizadas nos painéis alfanuméricos. Ao todo, o projeto demandou 21 moldes, feitos na China, em prazo recorde de seis semanas.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 340 Junho de 2008 |