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Makhohl Arquitetura
Centro educacional, São Paulo |
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A biblioteca abre-se para a frente do conjunto. A laje cubeta recebe luminárias nos vãos ou apresenta fechamento translúcido para oferecer iluminação zenital ao ambiente |
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| Nova proposta para o CEU revê conceito e desenho original |
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| O CEU Água Azul, em Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade de São Paulo, foi o primeiro a ser inaugurado de um total de 25 que a prefeitura deve entregar até o final da atual gestão. Assinados por Walter Makhohl, 24 dos projetos repetem um modelo modular em pré-moldados de concreto, adaptados a condições de implantação específicas. Somente essas adaptações representaram um total de 600 pranchas de desenho por unidade. |
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Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) seguem o modelo idealizado nos anos 1950 pelo educador Anísio Teixeira e adotado já pela administração paulistana anterior. O sucesso da iniciativa, que visa levar aos bairros da periferia de São Paulo equipamentos públicos que ofereçam atividades educativas, culturais, esportivas e de lazer abertas à população, garantiu a continuidade do programa na atual gestão. Antes de dar início à construção de mais 25 unidades, a prefeitura encomendou a alguns arquitetos novos estudos a fim de rever conceitos de uso dos equipamentos, em especial para viabilizar a implantação em terrenos menores e evitar a circulação do público nos blocos das salas de aulas.
O estudo escolhido foi o apresentado por Walter Makhohl, que estabeleceu um projeto modular, com lajes PI e prémoldados de concreto, o que dá rapidez à montagem da estrutura e permite aumentar ou diminuir o tamanho dos prédios conforme a área de cada terreno. Seguindo a modulação de 1,20 metro, o sistema foi desenvolvido com base em protótipos e testes que visavam diminuir a variedade de peças e simplificá-las. “Conseguimos concentrar o projeto todo em dois tipos de peças”, garante o arquiteto. O detalhe que identifica o novo CEU está nas vigas-calha com fechamento sobreposto, formando uma aba para proteger a construção contra infiltrações e dispensar a impermeabilização. A exceção acontece no volume circular de dois pavimentos, o único com estrutura convencional. “Optamos pela laje cubeta no piso e na cobertura. Ela funciona como grelha e permite grandes vãos”, explica Makhohl.
A contratação dos projetos executivos coube às próprias construtoras que venceram as licitações para a execução das obras. Makhohl conta que no ápice dos projetos chegou a ter cerca de cem pessoas trabalhando no detalhamento das propostas. A cada contrato assinado, equipes especializadas levantavam as características do terreno e verificavam a necessidade de interferências, como canalização de córregos, troca de camadas contaminadas do solo ou rebaixamento de lençóis freáticos. “A partir desses dados, fazíamos a adequação do projeto. Também era necessário adaptar os pré-moldados a fim de colocar os recortes das peças nas posições corretas, em função da implantação. Cada CEU chegou a 600 pranchas de desenho”, revela.
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| Entrada principal, com uma das quadras à esquerda. O conjunto possui controle de acesso e praças para as mães aguardarem as crianças |
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| Fachada posterior do bloco da escola de educação fundamental, voltada para a avenida. Elementos vazados protegem as salas contra depredação |
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O volume circular, o único com estrutura convencional, abriga cozinha e restaurante no térreo, biblioteca e centro de iniciação em informática no piso superior |
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A proposta padrão das 24 unidades prevê cinco prédios de dois pavimentos, com 12 mil metros quadrados de área construída e 41 salas de aulas distribuídas por dois blocos pedagógicos - um destinado ao Centro de Educação Infantil (CEI, a creche) e Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) e outro para a Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef), únicos de acesso restrito aos alunos. Além disso, os conjuntos contêm edifício administrativo, bloco circular com cozinha, refeitório, biblioteca e centro de iniciação em informática e o bloco esportivo e cultural (BEC), com quadra poliesportiva, teatro e salas de dança, que sempre representa a segunda etapa de implantação. Externamente há quadras esportivas, minicampo de futebol e três piscinas (semi-olímpica, recreativa e infantil). O programa original pode sofrer alterações em função do tamanho do lote ou apresentar elementos extras, como os CEUs Jardim Paulistano e Parelheiros, onde estão previstos planetários.
O CEU Água Azul, o primeiro inaugurado, ocupa área maior que a média das novas unidades, o que possibilitou contemplar todos os itens previstos, exceto a pista de atletismo. “Os terrenos públicos são sempre difíceis. Neste caso, precisamos cortar o lote, situado numa encosta, fazer o talude de contenção e mudar o local previsto para as piscinas devido ao lençol freático muito alto”, explica Makhohl. Os blocos pedagógicos caracterizam-se pelos corredores de 3,60 metros de largura que separam as salas de aulas, formando galerias que funcionam como espaço de convívio e de exposição de trabalhos dos alunos. As instalações correm por tubulações suspensas, que entram e saem das salas pelos recortes das lajes.
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| Faces laterais da escola de educação fundamental, à direita, e do bloco da creche e escola de educação infantil |
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| Os grandes painéis de fechamento lateral também empregam lajes PI |
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A vista geral a partir da varanda das salas de dança revela a organização, que lembra um campus universitário |
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Com 7,20 metros de largura, as salas recebem ventilação cruzada constante, assegurada por elementos vazados no topo da parede interna e por caixilhos de alumínio com abertura do tipo veneziana na parte superior. No piso térreo, elas se abrem para pequenos gramados delimitados por elementos vazados dispostos em semicírculo. “O objetivo era evitar a depredação das vidraças, mas a área acabou incorporada como espaço para atividades ao ar livre”, diz o arquiteto. As circulações são feitas por rampas externas e escadas internas revestidas por piso emborrachado; o granilite foi a opção escolhida para dar acabamento aos pisos.
O bloco esportivo e cultural é o único que possui piso de concreto polido e parte da fachada revestida por cerâmica.
O revestimento marca a posição dos vestiários, que se abrem para o interior e para o exterior do prédio. As demais superfícies externas são de concreto aparente ou recebem acabamento de pintura. A idéia original - não levada adiante - era que os painéis frontais das escolas recebessem obras de artistas plásticos, o que explica as grandes empenas inclinadas de concreto aparente.
Internamente, o BEC possui estrutura metálica, fixada no topo das vigas de concreto em sistema Divdag, na área de pé-direito de dez metros sobre a quadra poliesportiva, que tem piso de madeira. A cobertura é feita com telhas termoacústicas metálicas. O prédio também abriga um teatro com tratamento acústico, recursos de iluminação, telão, ar-condicionado central, camarins, coxia, depósito, sala e passarela técnicas. No CEU Água Azul, o palco é do tipo elisabetano, com 400 lugares.
Dos 25 CEUs, 16 já estão em funcionamento e oito devem ser concluídos para o ano letivo de 2009. O 25° tem concepção diferenciada, desenvolvida por Ruy Ohtake para a comunidade de Heliópolis.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 342 Agosto de 2008
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| Piscina infantil e o recorte horizontal no BEC, protegido por policarbonato curvo e tela metálica |
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| Elementos vazados nas caixas de escada e caixilhos com aberturas do tipo veneziana promovem ventilação constante nos blocos pedagógicos |
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Mapa de localização dos novos CEUs projetados por Walter Makhohl |
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Walter Makhohl formou-se em 1969 pela FAU/UnB. A partir de 1967 trabalhou com Oscar Niemeyer em Brasília, Paris, Argélia e Rio. Estabeleceu em São Paulo o escritório Makhohl Arquitetura e desenvolveu o projeto de urbanismo do município de Paranaitá, MT, projetos especiais para a Fundação para o Desenvolvimento da Educação, plano diretor do Ibirapuera (com Niemeyer) e hospitais Tiradentes e M’Boi Mirim, entre outros trabalhos |
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O refeitório atende mais de 2 mil alunos por dia |
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| A cor amarela evidencia os elementos metálicos da estrutura. A cobertura é feita com telhas termoacústicas |
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| Sala de aulas da creche. A laje não encosta no fechamento externo, permitindo maior ventilação. A aba de acabamento externo, usada no peitoril e na viga-calha, evita a entrada de chuva |
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| Área de lazer coberta no bloco da creche/escola de educação infantil. O espaço também pode funcionar como refeitório |
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| Área de múltiplo uso voltada para a quadra poliesportiva. Iluminação zenital e recortes verticais protegidos por policarbonato levam luz natural ao interior |
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O teatro tem infra-estrutura completa, palco elisabetano de cem metros quadrados e capacidade para 400 pessoas na platéia |
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