Álvaro Siza - Parte 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6/6
Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS
Plantas, cortes e fachadas
Todas as páginas sobre o autor
Todas as páginas relacionadas ao tema
Ver no GOOGLE Earth
Ficha técnica e fornecedores deste projeto
Automatic translation by Microsoft
  PicLens Ver SlideShow no PICLENS    PicLens Clique aqui para instalar o PICLENS
 
  Vista para a Fundação Iberê Camargo
 
Meandros da história: a fundação e a escolha do arquiteto
O edifício-sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, é um marco para a arquitetura brasileira. Ainda em projeto, ganhou em 2002 o Leão de Ouro, prêmio máximo da Bienal de Arquitetura de Veneza, e foi pauta de inúmeras publicações especializadas antes mesmo de ficar pronto. Lançando mão de inovações técnicas, como o uso do concreto branco, ele soma a impecável execução ao uso nobre: abriga uma coleção de obras-primas do artista plástico Iberê Camargo. Se isso não bastasse, é a obra-prima de um dos mais aclamados arquitetos de nosso tempo. Nesta reportagem especial, fomos buscar todos os aspectos e matizes que envolvem a criação do edifício, desde a fundação até os pormenores. E entregamos aos leitores o Siza brasileiro.

Segunda-feira, 26 de maio de 2008. À uma e meia da tarde, o motorista embicou o Corolla preto na larga calçada junto ao barracão da obra. A avenida Padre Cacique, que margeia o rio Guaíba, em Porto Alegre, tem quatro movimentadas faixas de rolamento, ambas no sentido sul. De terno cinza bem-cortado, gravata italiana, camisa azul e sapato preto - com solado de borracha -, Jorge Gerdau Johannpeter saltou do carro e seguiu apressado até o átrio da nova sede da Fundação Iberê Camargo. Seu compromisso era com a já completamente montada exposição Moderno no Limite, que recebera os últimos retoques uma semana antes e que ele, vindo do exterior no sábado, não encontrara tempo para ver. A visita também serviria como gancho de uma entrevista para o jornal Zero Hora, acertada depois de mais de um mês de delicadas negociações. Antes de atender a dupla de jornalistas que o aguardavam, e para evitar qualquer surpresa indesejável, Gerdau foi percorrer a mostra na companhia de José Luiz Canal, o engenheiro responsável pelo edifício.

 
Rampas em balanço dão expressividade ao volume
 
Assim como na parte frontal, a posterior tem piso coberto por britas: alusão à pedreira que existiu ali?
 
  Aproximação respeitosa para a escala do visitante ou de quem passa pela avenida: primeiro, os volumes baixos (café e vazio do ateliê); depois, no maior bloco, as áreas expositivas
 

Meia hora mais tarde, Gerdau retornou ao térreo e então teve início a entrevista. Seguindo sugestão do próprio anfitrião, o grupo - composto ainda por um fotógrafo do jornal, uma assessora de imprensa e um fotógrafo, ambos da fundação - entrou no pequeno elevador que conduz os visitantes ao terceiro e último andar. Como manda o figurino, os seis iniciaram o percurso arquitetônico-artístico à la Guggenheim - do primeiro Frank -, com o auxílio da gravidade. As 89 obras expostas, distribuídas pelos três andares, foram vistas em 28 minutos. Muito à vontade, Gerdau estava visivelmente feliz. Afinal de contas, via pela primeira vez o resultado de quase 15 anos de trabalho. “Aqui dá uma foto legal”, disse ao se aproximar da abertura circular com vidro curvo voltada para o Guaíba. Depois do tour, a conversa terminou com entrevistado e entrevistadores sentados no banco curvo do lobby - peça criada
especialmente para aquele espaço. Nove minutos depois de sentarem, Gerdau olhou para o relógio de plástico, desculpou-se e despediu-se de todos, seguindo apressado para o item seguinte de sua agenda.

Além de presidir o conselho do gigante grupo siderúrgico que leva seu sobrenome, Gerdau é presidente da Fundação Iberê Camargo. Ele está envolvido com a instituição desde que ela foi criada, em 1995, quando a viúva do pintor, Maria Camargo, doou para a fundação sua coleção de obras-primas. Ciumento em relação a sua produção, o atormentado Iberê guardou 4 mil das 7 mil obras que produziu. Assim, o acervo possui valor inestimável - caso semelhante, no Brasil, só com Lasar Segall.

 
Na lateral, espaço para as atividades de carga e descarga
 
  O café, parcialmente em balanço, abre-se também para a área verde
 

A construção de uma sede própria não estava na pauta, mas foi tema da primeira reunião do conselho da fundação. O assunto surgiu quando a secretáriageral, a arquiteta Cristina Soliani, propôs o nome de Oscar Niemeyer para desenhar a futura sede. A oposição mais ferrenha à sugestão partiu do empresário Justo Werlang, vice-presidente da instituição. Para ele, a contratação do carioca estava fora de questão pelo fato de Niemeyer não se preocupar com o uso específico dos espaços que cria. “Não podíamos correr esse risco. Em primeiro plano está a coleção”, afirma Werlang.

Um ano depois de constituída a fundação, o governo do estado doou-lhe um terreno às margens do rio Guaíba, ao sul do centro da cidade. Tratava-se de uma escarpa de pouco mais de 8 mil metros quadrados, repleta de vegetação e com apenas um quarto de área plana, junto à cota da avenida Padre Cacique. O lugar era uma antiga pedreira e, em parte, um aterro sobre o Guaíba. Com o passar do tempo, amadureceu entre os conselheiros a idéia de contratar um arquiteto estrangeiro que tivesse se notabilizado com projetos de museus. Sem alarde, a escolha do profissional durou quase um ano, entre junho de 1998 e março de 1999. Neste processo, foi fundamental o trabalho de Canal, que, a pedido da instituição, realizou ampla pesquisa, materializada num dossiê apresentado à diretoria. Ali o engenheiro listou dez nomes (que os envolvidos não revelam nem sob tortura, o que não impede um palpite com certa margem de segurança: Álvaro Siza, Rafael Moneo, Richard Meier, Arata Isozaki, Frank Gehry, Christian de Portzamparc, I. M. Pei, Hans Hollein, Renzo Piano e Tadao Ando).

Depois de algumas reuniões e avaliações, o foco recaiu em três figurões do star system arquitetônico: o português Álvaro Siza, o norte-americano Richard Meier e o espanhol Rafael Moneo.

A segunda missão de Canal foi visitar os três escritórios, no Porto, em Nova York e em Madri. Nesses encontros ele sondou os profissionais a respeito do interesse em participar do projeto. Para o início dos trabalhos, o engenheiro preparou mais um dossiê detalhado, com ricas informações sobre o sítio e o programa da fundação. Dentre os três finalistas, o português foi o que mais se empenhou. “Primeiro eu vi o buraco. Depois percebi que o buraco era um bocado estimulante”, Siza lembrou posteriormente. A solução que ele apresentou - que, com poucas diferenças, está agora ancorada às margens do Guaíba - foi criada em dezembro de 1998. Com os desenhos em mãos, o conselho se entusiasmou. E, assim, Siza estava escolhido.




Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 341 Julho de 2008

 
Os volumes menores, vistos do fundo
 
A dobra no volume protege a área de carga e descarga
 
Croqui
  Formado pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto em 1955, Álvaro Siza colaborou com Fernando Távora até 1958. Entre 1966 e 1969 lecionou na instituição em que se graduou e desde 1976 é professor adjunto de construção na Faculdade de Arquitetura do Porto. Em 1992, Siza recebeu o Prêmio Pritzker
 
  Croqui
veja também
  Álvaro Siza - Parte 3/6 - Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS
  Álvaro Siza - parte 2/6 - Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS
  Herzog & De Meuron - Centro cultural, Madri
  Isay Weinfeld - Edifício residencial, São Paulo
  Studio Arthur Casas - Loja, Tóquio
  James Lawrence Vianna - Residência, Petrópolis, RJ
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail