Casas conta que a edificação já existia e provavelmente foi construída como espaço comercial. “Como não possuía nenhum charme, decidi cobri-la com uma estrutura de fórmica, que funciona como suporte para as estampas das criações do estilista, substituídas a cada nova coleção”, explica o arquiteto. Para o autor, o desenho proposto desperta curiosidade quando a loja está fechada - uma curiosidade que não se sacia por completo quando está aberta, já que “ela não se expõe completamente”, ele observa.
O arquiteto afirma ter desenvolvido o projeto de acordo com o que ele observa ser o comportamento dos consumidores daquele país. “O japonês é mais curioso e exclusivista do que o norte-americano ou o brasileiro. No Brasil, as lojas precisam ter uma vitrine poderosa e os produtos devem ser superexpostos; no Japão, isso não é importante”, avalia.
A idéia do arquiteto - executada por uma empresa japonesa de acordo com a proposta inicial - era justamente trabalhar com essa curiosidade. Como as roupas desenhadas por Herchcovitch são muito ricas em detalhes, Casas diz que o projeto de interiores resolveu focar nelas sua atenção. “São as peças que devem atrair, e não a arquitetura”, justifica. Por isso, ele optou por trabalhar com materiais neutros, mas com “algum humor”. Os azulejos que se abrem e funcionam como suporte para acessórios são um exemplo, citado pelo autor, dessa verve. Uma grande pedra encontrada nas escavações durante a construção foi mantida como parte da ambientação.
A neutralidade aparece também no desenho da caixa registradora, executada em metal espelhado, de forma a passar quase despercebida. Outro ponto interessante no projeto foi dar dupla função às lâmpadas fluorescentes, que foram revestidas com acrílico: além de iluminar, elas são utilizadas como suportes para as roupas.
Casas revela ainda que recebeu de Herchcovitch total liberdade para criar, apenas com a recomendação de que fossem projetados suportes em número suficiente para o que seria exposto.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 340 Junho de 2008 |