Studio Arthur Casas
Loja, Tóquio
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  A proposta de Arthur Casas foi vestir a construção existente com uma capa que servisse de suporte à ousadia das estampas
 
Estampas de novas coleções renovam fachadas mutantes
O arquiteto Arthur Casas é responsável pelo projeto da loja do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch na capital do Japão, aberta em 2007. Um dos mais incensados criadores de moda do país na atualidade, Herchcovitch expõe e vende suas peças - os japoneses são vorazes consumidores de roupas - numa caixa cujas fachadas se alteram periodicamente com as estampas das coleções que ele desenha.

Há décadas Tóquio importa modelos do Brasil para desfilarem criações de estilistas internacionais. Mais recentemente, os japoneses começaram também a levar para sua capital a moda desenhada por criadores brasileiros. É para esse mercado que Alexandre Herchcovitch informa destinar a maior parte das roupas que exporta. Natural, portanto, que a cidade fosse escolhida por ele para receber sua primeira loja fora do território nacional.

Inaugurada no primeiro semestre do ano passado, a loja se localiza no bairro de Shibuya-ku, região que concentra destacadas grifes internacionais. O projeto também é brasileiro, assinado pelo arquiteto Arthur Casas. A construção, com 18 metros lineares de perímetro e 6,50 metros de altura, é uma grande caixa mutante, cujas fachadas são suporte para as estampas desenhadas por Herchcovitch para suas coleções.

 
A loja tem dois andares de exposição e um mezanino
para estoque
 
  O projeto de interiores procura voltar para as roupas o maior foco de atenção
 

Casas conta que a edificação já existia e provavelmente foi construída como espaço comercial. “Como não possuía nenhum charme, decidi cobri-la com uma estrutura de fórmica, que funciona como suporte para as estampas das criações do estilista, substituídas a cada nova coleção”, explica o arquiteto. Para o autor, o desenho proposto desperta curiosidade quando a loja está fechada - uma curiosidade que não se sacia por completo quando está aberta, já que “ela não se expõe completamente”, ele observa.

O arquiteto afirma ter desenvolvido o projeto de acordo com o que ele observa ser o comportamento dos consumidores daquele país. “O japonês é mais curioso e exclusivista do que o norte-americano ou o brasileiro. No Brasil, as lojas precisam ter uma vitrine poderosa e os produtos devem ser superexpostos; no Japão, isso não é importante”, avalia.

A idéia do arquiteto - executada por uma empresa japonesa de acordo com a proposta inicial - era justamente trabalhar com essa curiosidade. Como as roupas desenhadas por Herchcovitch são muito ricas em detalhes, Casas diz que o projeto de interiores resolveu focar nelas sua atenção. “São as peças que devem atrair, e não a arquitetura”, justifica. Por isso, ele optou por trabalhar com materiais neutros, mas com “algum humor”. Os azulejos que se abrem e funcionam como suporte para acessórios são um exemplo, citado pelo autor, dessa verve. Uma grande pedra encontrada nas escavações durante a construção foi mantida como parte da ambientação.

A neutralidade aparece também no desenho da caixa registradora, executada em metal espelhado, de forma a passar quase despercebida. Outro ponto interessante no projeto foi dar dupla função às lâmpadas fluorescentes, que foram revestidas com acrílico: além de iluminar, elas são utilizadas como suportes para as roupas.

Casas revela ainda que recebeu de Herchcovitch total liberdade para criar, apenas com a recomendação de que fossem projetados suportes em número suficiente para o que seria exposto.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 340 Junho de 2008

 
Pedra encontrada nas escavações, durante a construção, foi incorporada à ambientação
 
Revestidas de acrílico, as lâmpadas fluorescentes são suporte para a exposição de roupas
 
As peças cerâmicas que se abrem tornam-se superfícies de apoio para acessórios
  Arthur Casas cursou arquitetura na FAU/Mackenzie e formou-se em 1983. É titular do Studio Arthur Casas, que possui sedes em São Paulo e Nova York. Parte de seu trabalho foi reunido no livro São Paulo na arquitetura de Arthur Casas, uma coletânea com 20 de suas obras, lançada no ano passado, em São Paulo
 
O projeto trabalha com a aguçada curiosidade do consumidor
local: fechada, a caixa é quase um enigma
 
Um prédio comercial em Tóquio foi transformado para receber a primeira loja no exterior do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch. As fachadas estampam desenhos das roupas
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