Rodrigo Cerviño Lopez
Galeria de arte, Brumadinho, MG
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  Dependendo do ângulo de visão, a galeria da artista plástica carioca Adriana Varejão parece levitar ou aflorar da lateral do terreno
 
Edificação aflora do terreno e flutua em cota mais baixa
Uma das construções implantadas no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, MG, a Galeria Adriana Varejão foi projetada pelo arquiteto Rodrigo Cerviño Lopez. As faces cegas de concreto aparente fazem com que a edificação se assemelhe a um grande paralelepípedo que, observado da cota mais baixa, parece em parte levitar, enquanto em outro trecho aparenta estar encravado no terreno.

Um lote de 35 hectares em Brumadinho, cidade localizada a 60 quilômetros de Belo Horizonte, é sede do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, uma espécie de museu ao ar livre idealizado pelo empresário e colecionador de arte Bernardo Paz. Em 2004, antes da abertura oficial do Inhotim, ele afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que, na sua opinião, a arte contemporânea estava nas mãos de poucos colecionadores. “E isso a gente não vê, pois é um mundo de vaidades”, ele observou. Paz justificou, então, a razão de ser do centro: “Faço este lugar para que se veja o que tem de melhor por aí”.

O centro de arte no interior mineiro reúne - na definição da própria instituição - um dos mais preciosos acervos mundiais da arte contemporânea. Brasileiros como Tunga, Cildo Meirelles e Adriana Varejão, além da colombiana Doris Salcedo e do americano Chris Burden, têm obras expostas no local, que é também um parque ambiental. Enquanto alguns desses trabalhos estão em pontos estratégicos do terreno - cujos jardins foram parcialmente idealizados por Burle Marx -, outros encontram-se em prédios desenvolvidos especificamente para abrigá-los.

 
Vista do térreo em direção à área externa do parque ambiental. O espelho d’água avança para o interior do pavilhão
 
Empenas de concreto aparente e economia de formas dão
vigor à composição
 
  A passarela metálica liga a cobertura/praça ao nível mais alto do terreno. A construção é, ao mesmo tempo, percurso e edificação
 

A mais recente edificação a ser concluída no local é a Galeria Adriana Varejão (conhecida artista plástica carioca e esposa de Paz), projetada por Rodrigo Cerviño Lopez. O arquiteto conta que já desenvolvera o ateliê da artista, no Rio de Janeiro. Em 2004, quando Adriana foi a Minas Gerais para conhecer o Inhotim, convidou-o a ir até até o local. Na visita, ao ser apresentado a Paz, este fez a Lopez a indagação/afirmação: “Você é o arquiteto que vai fazer o projeto da galeria da Adriana?”.

Assim como soube, de forma inesperada, que desenvolveria o projeto, Lopez também foi informado de que a parte do lote reservada para implantar a galeria estava determinada - uma área antes utilizada como depósito de contêineres. Do esboço inicial, elaborado em poucos dias, até a construção final, a proposta teve poucas modificações.

O projeto é contido; a parcimônia de formas o aproxima de uma arquitetura de linguagem minimalista. Sua inserção recompõe, de certa forma, as cotas existentes antes do corte realizado para que servisse de depósito. Trata-se, assim, de uma composição que é, ao mesmo tempo, edificação e percurso. Observada da cota mais baixa do lote, a construção lembra um enorme paralelepípedo, com suas empenas cegas de concreto. Enquanto parte dessa figura parece levitar, sua outra porção aparenta aflorar da lateral, no nível mais alto do terreno.

A galeria possui piso térreo, pavimento superior e cobertura, todos eles abrigando obras criadas por Adriana. No térreo - que tem planta menos regular que a do primeiro andar -, a escada é envolvida por um espelho d’água que avança para o interior da edificação.

 
A praça junto ao espelho d’água faz parte do trajeto que dá acesso à galeria, na cota mais baixa do terreno
 
Arte, arquitetura e paisagismo integram-se no centro de arte contemporânea, aberto à visitação pública
 
   
 
Experiência concentrada

A história da valorização dos moinhos italianos da serra gaúcha começou quando a pesquisadora e ambientalista Judith Cortesão visitou a região. Encantada com o que viu, Judith passou a considerar o Moinho Colognese “um dos relevantes monumentos históricos nacionais”. Tamanho entusiasmo inspirou a criação de uma entidade (a Associação dos Amigos dos Moinhos do Alto do Vale do Taquari) que busca conservar esse patrimônio. Com o suporte de dinheiro captado na iniciativa privada - a Nestlé, via leis culturais de renúncia fiscal, foi uma das grandes colaboradoras -, a primeira ação daquele organismo foi comprar o Moinho Colognese e um lote vizinho.



Os moinhos são importantes pois testemunham a decisão de permanecer no Brasil, tomada pelos imigrantes italianos do Alto do Vale do Taquari, que chegaram ao país a partir de 1909. Como o pão e a massa são a base da culinária italiana, produzir a farinha de trigo significava que eles não tinham intenção de retornar à Europa. O caráter patrimonial dos moinhos, segundo Manuel Luiz Touguinha, presidente da associação, “é inquestionável, uma vez que representam a memória de um povo, a sua história econômica e social, a sua história tecnológica e, freqüentemente, o repositório de crenças, ditos e pequenas histórias que constituem parte do imaginário popular”. Com o passar dos anos (e a proibição da produção de farinha de trigo em moinhos artesanais), os prédios foram abandonados. Hoje, a principal base econômica da cidade é o mate.



Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 340 Junho de 2008

 
O banco que ocupa três dos quatro lados da cobertura também é obra de Adriana e chama-se Passarinhos - de Inhotim a Demini
 
Do pavimento superior à praça/cobertura, o trajeto é feito por rampas localizadas na periferia da laje
 
No térreo, as obras Linda do Rosário e O colecionador promovem diálogo entre arte e arquitetura
  Rodrigo Cerviño Lopez, formado pela FAU/USP em 2001, é sócio do escritório Tacoa Arquitetos, constituído em 2005.
Além da arquitetura, trabalha na área de design gráfico
 
  A escada que liga o térreo ao pavimento superior é envolvida pelo espelho d’água
 
  As laterais do pavimento superior são a base para a pintura Celacanto provoca maremoto, inspirada em técnica de pintura em azulejo
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