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3Traços Arquitetura
Centro de convenções Würth, Cotia, SP |
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A cobertura central protege a rampa e uma área de mil metros quadrados destinada a eventos |
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| Sistemas agilizam a construção |
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| Painéis pré-moldados autoportantes e vigas vierendel foram utilizados para a construção do conjunto de edifícios destinados a atividades de treinamento e lazer dos funcionários da indústria Würth. O projeto aproveita o desnível de oito metros no lote para criar blocos que se sobrepõem e volumes em balanço. |
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Há 35 anos no Brasil, atuando no comércio de ferramentas para diversos setores de produção industrial, a empresa alemã Würth tem aproximadamente 60 mil colaboradores espalhados pelo mundo. Destes, cerca de 2 mil atuam no mercado brasileiro, parte deles compondo equipes de vendas que vêm crescendo, nos últimos anos, à média de 30%. As novas instalações, construídas em Cotia, Região Metropolitana de São Paulo, foram desenhadas para atender à demanda por um centro de formação e lazer para os funcionários. No local já existiam o prédio administrativo da Würth e um pequeno hotel. Este foi ampliado e modernizado pelo projeto, que criou edifícios para abrigar centro de treinamento, auditório, restaurante e área para convenções e lazer. A partir de concurso realizado pela empresa, as propostas foram encaminhadas para o presidente mundial, Reinhold Würth, que escolheu o trabalho resultante da parceria entre a construtora Almatep e o escritório de arquitetura 3Traços.
As premissas básicas do desenvolvimento do projeto foram apresentadas pelo próprio presidente: para ganhar visibilidade, o edifício deveria ser implantado em um talude existente e a circulação vertical deveria ocorrer sem o uso de sistemas mecanizados. Tirando partido do desnível do terreno, de cerca de oito metros, os arquitetos criaram uma ampla rampa aberta, elemento de circulação e de conexão entre as edificações que formam o conjunto. À direita dela está o volume do auditório e à esquerda foram construídos dois blocos sobrepostos. O inferior abriga grêmio, academia de ginástica e restaurante com capacidade de oferecer, em turnos, cerca de mil refeições por dia. Instalado na diagonal deste, o bloco superior recebeu as salas de treinamento. Uma cobertura central protege a rampa de circulação e uma área de mil metros quadrados destinada a eventos. Trata-se de elemento monumental, que integra o conjunto e constitui um grande mirante.
Vigas Vierendel
Com pé-direito de 2,95 metros e fechamentos de vidro do piso ao teto, o bloco que abriga as salas de treinamento avança do talude, em balanço de oito metros. Para reduzir a incidência direta da luz solar na fachada, o projeto de arquitetura desenvolveu uma solução composta por brises e uma aba fixada à cobertura, em balanço de um metro, fabricada com placa cimentícia e estrutura de aço. A estrutura do volume em balanço é composta por vigas vierendel (treliças de banzos paralelos), utilizadas como laterais do edifício. As vigas têm altura de 3,91 metros e comprimento de 30 metros, sendo 9,58 metros (eixo A) e 8,01 metros (eixo B) apoiados em blocos e cortina de concreto armado; 12,92 metros (eixo A) e 12,99 metros (eixo B) apoiados em cortina de concreto armado e pilares de concreto armado; e 7,5 metros (eixo A) e 9 metros (eixo B) em balanço. A distância entre vigas é de 8,9 metros.
As cargas são distribuídas sobre as vigas transversais (piso e teto), que, por sua vez, as transmitem como cargas concentradas aos nós das vigas vierendel. Nos planos superior e inferior da estrutura há um sistema com 44 contraventamentos em X, que tem por função estabilizar e alinhar os quadros estruturais. A modulação da vierendel é de três metros entre montantes e 3,91 metros entre banzos. Como os apoios (pilares de concreto, cortina de concreto e bases) estavam dispostos em ângulo de cem graus em relação às vigas, sua marcação foi extremamente criteriosa e precisa, através de topografia. A seqüência de montagem das vigas vierendel obedeceu às seguintes etapas: montagem inicial da estrutura no chão; alçamento por guindaste da peça inteira (30 metros); fixação aos apoios e estaiamento para estabilização; travamento através das vigas transversais. A mobilização e o treinamento da equipe de montagem, com rígidos critérios de segurança, foram preponderantes para o bom desempenho dessa operação, segundo Amilton Machado, gerente de projetos da Sinovo, empresa responsável pelo projeto e execução das vigas vierendel do edifício em balanço, da rampa helicoidal e da cobertura do auditório.
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| As vigas vierendel funcionam como apoio de grande inércia, recebendo carregamento de piso (no banzo inferior) e teto (no banzo superior) através de vigas transversais de travamento |
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| O piso da rampa é uma laje moldada in loco, com espessura de 200 milímetros com conectores a cada 200 milímetros |
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| Visão noturna da cobertura central |
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A estrutura da rampa está apoiada em pilares de concreto |
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Rampa Helicoidal
Além de atender às exigências de acessibilidade de portadores de necessidades especiais, a rampa de circulação estimula a caminhada e a interação com o meio ambiente, conforme desejava o presidente da empresa. “Tomar partido do desnível e desse movimento era fundamental para acertar a arquitetura e a volumetria”, observa o arquiteto Marcos Costa. Trata-se de uma rampa circular em estrutura mista, com largura de 2,66 metros, apoiada através de inserts em seis pares de pilares de concreto armado de 450 milímetros de diâmetro, orientados a cada 60 graus. Os pilares internos têm altura de 14,33 metros e estão diametralmente distantes 10,45 metros; os externos, com altura variável até oito metros, estão à distância de 16,90 metros.
“As vigas metálicas circulares da rampa se apóiam em vigas metálicas retas transversais, e estas, por sua vez, nos pilares de concreto armado através de inserts metálicos”, explica Amilton Machado.
Os pilares têm, conforme sua locação, três ou quatro inserts distantes 2,40 metros, em cotas diversas. Foram consideradas cargas concentradas a cada apoio de viga transversal, com sua combinação correspondente à área de meia rampa em 60 graus de projeção em planta da mesma. Durante o projeto foi constatada a grande dificuldade de calandragem de perfis I em dois eixos (circular com deflexão nas cotas). Para contornar esse obstáculo, foram produzidas vigas soldadas curvas, usando gabaritos de desnivelamento.
O auditório foi construído com o sistema tilt-up, numa aplicação pouco usual, segundo o arquiteto - construção com planta trapezoidal -, mas adotada em conjunto com os calculistas de estrutura, para agilizar a obra. Sua utilização contou com a consultoria do engenheiro Francisco Oggi. Esse sistema de concreto autoportante tem as placas preparadas no piso, erguidas por guindastes, colocadas no local e travadas. Cada uma tem dimensões aproximadas de nove metros de altura, três de largura e espessura de 12 a 15 centímetros, pesando cerca de cinco toneladas. As placas são feitas em fôrma metálica sobre superfície lisa de concreto. O tempo de cura é de cinco a sete dias para que se possa içá-las. Além dos sistemas construtivos industrializados, o novo conjunto arquitetônico da Würth se destaca pelos elementos ambientalmente corretos, como o aquecimento solar de água, instalado no hotel, e a estação de tratamento de efluentes, que possibilita o reúso da água em operações de limpeza e manutenção do prédio. Esta foi a primeira etapa da obra. Para a segunda estão previstas a reestruturação da portaria, a extensão da passarela de conexão dos edifícios e a construção de um prédio para os escritórios.
Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em Finestra
Edição 53 Junho de 2008 |
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